CB, Brasil, p.10
22 de Mar de 2004
MEIO AMBIENTESe cuidar, não faltaO controle de dejetos jogados em rios e lagos é medida fundamental, junto com o uso racional da água, para evitar racionamento. O DF será a primeira unidade da federação com esgoto 100% tratado
Renata Giraldi Da Equipe do Correio
A má utilização e o uso irracional de água podem fazer com que grandes cidades em todo mundo, incluindo São Paulo e Rio de Janeiro, determinem em pouco tempo medidas de racionamento. O assunto preocupa tanto as autoridades não só no Brasil, como também no exterior que a partir de hoje será realizada uma série de debates sobre o tema, além de seminários e exposições, como parte das comemorações do Dia Internacional da Água. Pode sim ocorrer o racionamento de água em uma ou outra cidade, mas não no país inteiro. No entanto, é importante tomar algumas providências, explica o diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Jerson Kelman. Fechar a torneira, rever as formas de irrigação e tratar o esgoto são algumas formas de tentar evitar que a situação fique mais grave, ensina. No Brasil, segundo Kelman, dificilmente ocorrerá um racionamento de água como o que foi feito em relação ao consumo de energia, há cerca de três anos. De acordo com ele, os mecanismos que envolvem a distribuição de água são diferentes e possibilitam maior controle, se tomadas algumas precauções. Essas medidas se baseiam essencialmente no chamado uso racional e no tratamento de esgoto. Sem tratamento Os ambientalistas destacam que uma das principais dificuldades no controle da qualidade da água é o acúmulo de lixo nas margens dos lagos e rios, além do esgoto despejado neles. Segundo especialistas, 63% dos depósitos de lixo estão nos chamados corpos dágua. Eles se preocupam também com a prioridade no uso da água no país. De acordo com organizações não-governamentais, 70% da água no país é destinada à agricultura, 20% utilizada em indústrias e o uso doméstico não chega a 10%. Segundo ambientalistas, o ideal seria determinar como prioridade o consumo das necessidades humanas. O problema mundial da água é considerado tão sério que este ano se tornou tema da Campanha da Fraternidade. Para Kelman, a preocupação deve ser o tratamento imediato de todo o esgoto despejado nos rios e lagos do país. Na hora de votar, os eleitores deveriam lembrar de quem se preocupa em tratar o esgoto. É que a médio e longo prazo os efeitos serão percebidos, diz ele. De acordo com a ANA, o Distrito Federal será a primeira unidade da federação cujo esgoto será totalmente tratado, sem exceção. De acordo com Kelman, o DF servirá de exemplo para o resto do país. Mas só essa medida não será suficiente, tanto é que a agência decidiu efetivar ações em parceria com vários ministérios. Sem desperdício Apesar de a bacia fluvial do Brasil ser a maior do mundo, especialistas estimam que o desperdício de água tratada é de aproximadamente 40%. Parte do desperdício está justamente na agricultura. Daí ela ser o foco das atenções dos especialistas. É que se constatou ser possível gastar menos água e plantar mais. Segundo Kelman, a produção depende do método utilizado para a irrigação, uma das alternativas é o gotejamento, por meio do qual a plantação recebe gotas de água e não é encharcada. Em parceria com o Ministério da Agricultura, a ANA examina a possibilidade de conceder o direito do outorga para os agricultores que se adequarem aos métodos de economia de água. A proposta está em fase de análise e considera a idéia de dar uma espécie de bônus por até 20 anos para esses consumidores.
É importante tomar algumas providências
Jerson Kelman, diretor-presidente da Agência Nacional de Águas
Programação da Semana da ÁguaExposição Água Brasilis Natureza e Homem no Curso da História No Pátio Brasil Shopping, de 10h a 22h, até o dia 31 Série de seminários na Agência Nacional de Águas (ANA) Temas: segurança alimentar, controle social na gestão das águas, planejamento e regulação de recursos hídricos
Mais informações no site da ANA na internet, no endereço www.ana.gov.br
Volume da escassez2,9% da água do mundo é doce 11,6% da água doce mundial está no Brasil 70 % da água disponível para uso no país está na Amazônia 40 % da água tratada é desperdiçada pelos brasileiros
CB, 22/03/2004, p. 10
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