GM, Energia, p.A7
04 de Jun de 2004
Schroeder relaciona óleo à insegurança
Bonn (Alemanha), 4 de Junho de 2004 - A Conferência sobre Energias Renováveis de Bonn entrou ontem em sua fase decisiva com a advertência do chanceler alemão, Gerhard Schroeder, de que a dependência do petróleo aumenta a vulnerabilidade diante do terrorismo. Além disso, os países não industrializados pediram mais investimentos na luta contra a pobreza. O fomento das energias limpas não é só um dever "de solidariedade", mas também um "imperativo para a segurança" mundial frente ao terrorismo, afirmou Schroeder.
O objetivo dos últimos atentados na Arábia Saudita e no Iraque é atingir "o sistema neurológico" da humanidade, prosseguiu o chanceler, que insistiu em um dos motivos centrais da conferência: a alta dos preços do petróleo destaca mais do que nunca a necessidade de apostar em energias alternativas.
"Apostar nas renováveis não é populismo, mas realismo", disse o chanceler alemão, para lembrar que "dois bilhões de pessoas, um terço da humanidade, não tem acesso à provisão energética", motivo mais do que suficiente para o fomento de energias descentralizadas, enfatizou o chanceler. Schroeder se dirigiu assim aos participantes do maior encontro realizado até agora sobre as energias renováveis, com representantes de 150 países, e que foi convocado a convite dele, em 2002, ao término da Conferência do Desenvolvimento Sustentável de Johanesburgo, que acabou "sem resultados concretos", disse. É hora de passar das palavras aos fatos, ressaltou Schroeder.
Luta contra a miséria
Por parte da África, o primeiro-ministro da Nigéria, Hama Amadou, disse que o desenvolvimento das renováveis é um "fator crucial na luta contra uma miséria que condena a África à exclusão", mas que "não pode pedir a ninguém que se desenvolva, se esse alguém sobrevive com menos de um dólar por dia". Já o ministro de Indústria da Tailândia, Prommin Letsuridej, ressaltou a importância de que os recursos naturais descentralizados sejam uma alternativa aos combustíveis fósseis, enquanto o representante governamental da China, Zhang Guobao, destacou os progressos realizados por seu país na área de renováveis.
"A China conclui sua revolução, com porcentagens de consumo de renováveis de 12%, e confiamos no apoio e na experiência da Europa, e especialmente da Alemanha, para seguir esse caminho", disse Zhang.
O gerente do Banco Mundial (Bird), Peter Woicke, anunciou que seu organismo duplicará, nos próximos cinco anos e a um ritmo de 20% ao ano, suas ajudas às fontes renováveis de energia, até atingir os US$ 200 milhões por ano. "No entanto, o investimento em energia deve ser acompanhada de eficácia e, também, de desejo de melhora política naqueles países onde se investe", disse Woicke. Ele lembrou que, junto ao desafio energético, está o desafio de manter o equilíbrio econômico.
GM, 04-06/06/2004, p. A7
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.