VOLTAR

Saúde em aldeias depende da distribuição de terras

Jornal do Senado -Brasília-DF
08 de Abr de 2005

Em audiência, diretor da Funasa afirma que mortalidade infantil entre indígenas é duas vezes maior que no restante da população

SOLUÇÕES Entre Sanches (E) e Padilha, Juvêncio da Fonseca preside reunião da Comissão de Direitos Humanos
Em audiência pública realizada ontem pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), o diretor do Departamento de Saúde Indígena da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Alexandre Padilha, afirmou que a assistência médica aos índios tem limites e que as soluções não serão definitivas "se a questão da terra não for solucionada". A audiência pública destinava-se a tratar do problema de desnutrição que tem levado à morte crianças indígenas de Mato Grosso do Sul.

- Sem resolver o problema da terra para os índios guarani-caiovás, todas as ações de saúde têm limite em sua capacidade. É preciso haver ampliação da terra e igualdade de distribuição para a aldeia. Sem acesso à terra, eles não terão como produzir alimentos e nem defender sua identidade cultural - disse.

Padilha reconheceu que a situação é grave e que os índices de desnutrição entre os indígenas são maiores do que os encontrados no restante da população. Mas garantiu que a situação está melhorando.

- Em janeiro, 534 crianças estavam em risco nutricional entre os índios de Dourados. Acompanhamos a situação e na primeira reavaliação, em fevereiro, 26% dessas crianças já tiveram avaliação melhor, inclusive de peso normal - assinalou o diretor.

Alexandre Padilha ressaltou que houve grande avanço na saúde indígena depois que o Ministério da Saúde passou a cuidar dessa área, a partir de 1999, conseguindo, inclusive, reverter a tendência de extinção em algumas etnias. O índice de mortalidade infantil, informou Padilha, era de 112 mortes por mil nascimentos naquela época e, em 2004, chegou a 47 óbitos por mil crianças nascidas vivas. Apesar disso, ele reconheceu que ainda há muito o que melhorar.

- Em parte é motivo de comemoração, mas o índice de mortalidade infantil entre os indígenas ainda é duas vezes maior do que no restante da população - frisou.

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.