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Saúde dos índios Yanomami e Yekuana é discutida em oficina

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
10 de mai de 2005

Durante toda a semana a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), através do Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami, estará realizando uma oficina de planejamento de suas ações para os próximos três anos nos distritos Yanomami e Yekuana, na Casa de Estudos, conforme previsto no plano de diretrizes que visa buscar alternativas de melhorias nos atendimentos médicos nos 17 programas oferecidos as comunidades indígenas.
Durante estes cinco anos à frente da saúde dos índios, é a primeira vez que este tipo de encontro é realizado fora dos distritos, com a participação das Organizações Não Governamentais (ONGs) cadastradas para a prestação dos atendimentos.
Para o articulador de controle social da Funasa, Carlos Dantas, a integração de diversos departamentos da Funasa e dos prestadores de serviço é de fundamental importância para levar uma saúde de qualidade para os usuários do sistema. "Nós prestamos assistência médica para uma população de quase 16 mil pessoas. E se não houver uma integração entre os diversos setores da Fundação e das ONGs, fica muito complicado realizar o serviço", destacou.
O quadro do atendimento à saúde indígena hoje conta com 6 entidades conveniadas dispondo de médicos, enfermeiros, dentistas, bioquímicos, agentes indígenas de Saúde, entre outros profissionais.
Os próprios membros das comunidades indígenas estão recebendo treinamento técnico, pela Funasa, para desenvolver trabalhos laboratoriais, como coleta e verificação de exames devido aos problemas de adaptação que alguns profissionais encontravam quando eram destacados para as regiões de ação, conforme explicou Carlos Dantas.
"Estávamos tendo problemas de adaptação com alguns técnicos que iam para os distritos. As razões eram, na maioria das vezes, incompatibilidade com o local, a distância etc. Então resolvemos dar o treinamento para os membros da própria comunidade que se interessassem. A partir daí diminuíram os problemas", explicou.
Na oficina também estão participando representantes de ONGs do Estado do Amazonas, uma vez que a área de abrangência do atendimento se estende até o estado vizinho.
O representante da ONG amazonense Serviço de Cooperação com o Povo Yanomami (Secoya), Silvio Canuscens, complementou que a integração entre o trabalho dos estados serve para buscar superar situações de risco. "Problemas de saúde como tuberculose, malária e infecções respiratórias são mais comuns no Amazonas e com o plano de ações definidos nesta semana teremos um melhor planejamento para o combate das doenças", salientou.
Segundo Canuscens, a nação Yanomami tem que ter um atendimento diferenciado em razão de se tratar de um povo isolado que sofre as conseqüências do contato com a nossa sociedade tendo a perspectiva de levar um atendimento digno e respeitoso para com as crenças e costumes.
"Temos que tentar encontrar um ponto de equilíbrio entre a saúde alopática e a saúde indígena para preservar a cultura envolvendo a comunidade no processo de atendimento", frisou.

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