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Satélites começam hoje a monitorar Paraíba do Sul

OESP, Vida, p. A15
29 de mar de 2005

Satélites começam hoje a monitorar Paraíba do Sul
Primeira das 7 plataformas que enviarão dados será instalada em Cachoeira Paulista

Simone Menocchi

A qualidade da água do Rio Paraíba do Sul no trecho paulista começa a ser monitorada a partir de hoje a cada três horas via satélite. No município de Cruzeiro, no Vale do Paraíba, será instalada a primeira de sete plataformas que vão transmitir automaticamente, por meio de satélites de coleta de dados, informações sobre a qualidade da água. As outras seis plataformas serão instaladas até o fim do ano em trechos em Guaratinguetá, Queluz, Pindamonhangaba, São José dos Campos, Jacareí e Santa Branca.
As informações serão captadas por sensores existentes nas plataformas. Os satélites SCD 1 e 2 - satélite de coleta de dados - e o sino-brasileiro CBERS 2 captam as informações e as transmitem para as bases do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) de Cuiabá (MT) e Alcântara (MA).
"Imediatamente os dados são repassados ao Inpe em Cachoeira Paulista, onde serão analisados e repassados à Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental)", explica o engenheiro da Divisão de Meio Ambiente do instituto, Flávio Magina. Caberá aos dois órgãos disponibilizar as análises para o público via internet.
Os sensores vão medir a poluição química e orgânica, o oxigênio dissolvido na água, a condutividade, a acidez, a temperatura, a salinidade, a turbidez das águas e o nível do rio, que indicará o volume de chuva. O monitoramento vai possibilitar também a comunicação de casos de extrema poluição e enchentes, além da detecção de poluição à noite, evitando lançamentos clandestinos de poluentes.
O sistema começa a funcionar em Cruzeiro e a próxima plataforma será instalada em Guaratinguetá no mês que vem. "Serão 90 dias em caráter experimental para cada plataforma, onde vamos calibrar o equipamento comparando as análises via satélite com análises feitas de modo convencional", diz Magina. Até ontem a água do Paraíba do Sul era analisada a cada bimestre. "Agora será de três em três horas, com rapidez. Um avanço formidável."
Atraso
O sistema, chamado Rede Piloto de Plataformas Hidrológicas de Coleta de Dados da Bacia do Paraíba do Sul, começa a funcionar com dois anos de atraso. Em 2002 foi anunciado pelo Inpe, mas as questões burocráticas das parcerias com outros órgãos públicos como Cetesb e Departamento de Água, Energia e Esgotos (Daee) acabaram atrasando a instalação das plataformas, que abrange também parcerias com empresas do Vale do Paraíba.
O Inpe investiu cerca de US$ 200 mil em equipamentos. As plataformas serão instaladas em áreas próximas às sete empresas parceiras. Cada uma delas investiu cerca de R$ 12 mil na infra-estrutura para que plataforma fosse instalada, além de fornecer segurança para o local. "As empresas estão ajudando muito."
A estação que começa a funcionar hoje em Cruzeiro fica em uma área que pertence à Maxion Sistemas Automotivos.

OESP, 29/03/2005, Vida, p. A15

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