O Globo, O País, p. 5
02 de Abr de 2007
São Paulo cai em ranking de qualidade de vida
Violência é a causa apontada para a capital paulista perder seis posições em pesquisa realizada por consultoria
Ricardo Galhardo
Os ataques do crime organizado que trouxeram pânico à cidade em maio do ano passado fizeram com que São Paulo caísse seis posições no ranking mundial de qualidade de vida da Mercer Consultoria de Recursos Humanos. A cidade brasileira mais bem colocada é Brasília, que ocupa a 104 aposição. Apesar da queda, São Paulo é a 114ª O Rio subiu uma posição e está 115o lugar. A líder do ranking é Zurique (Suíça) e a lanterna, Bagdá (Iraque).
- Com toda certeza, os ataques de maio foram a principal causa da queda de São Paulo - disse a coordenadora regional de marketing da Mercer, Denise Perassoli.
Há dez anos a Mercer realiza levantamento em mais de 200 cidades de todo o mundo.
O objetivo é fornecer subsídios para empresas calcularem prêmios, aumentos salariais e outras vantagens a serem oferecidas a funcionários escalados para trabalharem em outros países.
A empresa observa 39 fatores de qualidade de vida agrupados em dez categorias: ambiente político e social (estabilidade política, rigor da lei, entre outros), ambiente econômico (serviços bancários, regras de conversão monetária, entre outros), ambiente sóciocultural (censura, limitações de liberdade individual e outros), saúde e saneamento, escolas e educação, serviços públicos e transporte, diversão, bens de consumo, acomodação e ambiente natural (clima, desastres naturais e outros).
As 215 cidades avaliadas são comparadas com Nova York, que sempre entra no ranking com 100 pontos. Os dados foram coletados entre setembro e novembro do ano passado e atualizados constantemente.
Das 50 primeiras posições do ranking, 49 cidades são da América do Norte, Europa, Japão e Oceania. A única "intrusa" no grupo é Cingapura (34o -lugar). A cidade sul-americana mais bem colocada é Montevidéu (Uruguai) na 76ª colocação .
Brasília está na mesma colocação do ano passado
Com 78,8 pontos, Brasília se manteve na mesma colocação do ano passado e está atrás de outras cidades do continente, como Buenos Aires (Argentina, 87,4 pontos e 79o lugar) e Santiago (Chile, 86,5 pontos e 83o lugar).
Embora tenha subido uma posição no ranking, o Rio manteve a mesma pontuação do ano anterior (74,5).
Já a capital paulista foi prejudicada pela onda de ataques de uma facção do crime organizado a policiais em maio do ano passado. Segundo Denise Perassoli, no ano anterior, São Paulo tinha nota 2 - em uma escala até 10 - no quesito criminalidade.
Com os ataques, caiu para 1.
- Nota zero é o Iraque em guerra - comparou Denise.
Em dez anos de avaliações, a Mercer constatou que a diferença entre as cidades bem colocadas e as últimas do ranking aumentou.
- Recentemente, a diferença entre as cidades mal e bem colocadas tem aumentado. Enquanto os padrões têm melhorado em algumas regiões, permanece o contraste total entre aquelas cidades onde a qualidade de vida em geral é boa e aquelas que enfrentam tumultos políticos e econômicos - disse Slagin Parakatil, pesquisador sênior da Mercer.
A cidade brasileira mais mal avaliada é Manaus, em 126o lugar, com 71,5 pontos.
A capital do Amazonas subiu três posições em relação ao ranking de 2006.
Colocação ainda pior em saúde e saneamento
Cidades brasileiras ficam atrás de várias da América Latina
Este ano, a Mercer Consultoria de Recursos Humanos divulgou ranking específico para saúde e saneamento. O desempenho das cidades brasileiras é ainda pior do que no levantamento que mede a qualidade de vida. Brasília está em 118o lugar, o Rio em 122o , Manaus em 129o e São Paulo em 135o . A líder do ranking é Calgary (Canadá) e a lanterna, Baku (Azerbaijão).
No ranking de saúde e saneamento, as cidades brasileiras ficam atrás de La Paz (Bolívia), Assunção (Paraguai) e Port Louis (Mauritânia), entre outras. A cidade sul-americana mais bem colocada é Buenos Aires, em 78o lugar.
Os critérios para a pontuação são a qualidade e disponibilidade de hospitais e medicamentos, poluição, incidência de doenças contagiosas, sistemas de coleta de lixo e esgoto, qualidade da água e presença de insetos ou animais perigosos.
O Globo, 02/04/2007, O País, p. 5
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