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Samarco retira funcionários de barragem após deslizamento

O Globo, País, p. 11
28 de Jan de 2016

Samarco retira funcionários de barragem após deslizamento
Empresa diz que situação é estável e que não houve vazamento

BRUNO GÓES JULIANA CASTRO
opais@oglobo.com.br

Depois de 83 dias do rompimento da barragem que provocou uma avalanche de lama em Mariana, a mineradora Samarco informou que houve um deslizamento de rejeitos no mesmo local, na barragem de Fundão, devido às chuvas das últimas semanas. De acordo com a empresa, um alerta foi dado aos 450 funcionários do complexo de barragens, que foram retirados do local. Fundão se rompeu em novembro do ano passado e provocou a morte de 17 pessoas. Duas ainda estão desaparecidas.
Ao GLOBO, a empresa informou ainda que "não houve novo vazamento", e que os rejeitos continuam dentro do complexo de barragens, apesar do deslizamento. Além da barragem de Fundão, há outras duas: a de Santarém e a de Germano, que não se romperam e estão em acompanhamento desde a tragédia.
Segundo a mineradora, todos os procedimentos de emergência para o caso foram adotados de forma correta. Ressaltou ainda que não foi preciso o uso de sirenes para alertar a população, já que o deslocamento ocorreu apenas no local das barragens.
"O volume deslocado permanece entre a barragem de Fundão e Santarém, dentro das áreas da Samarco. A Samarco reafirma que as estruturas das barragens de Germano e Santarém permanecem estáveis com base no contínuo monitoramento", disse a empresa.
DEFESA CIVIL SOBREVOOU BARRAGEM
A assessoria da Defesa Civil em Mariana informou que nenhuma equipe do órgão foi enviada ao local, e os procedimentos adotados foram uma decisão da própria empresa.
- Como não acarretou prejuízos à estrutura da demais barragens ou transtornos às comunidades, a empresa legalmente não é obrigada a nos comunicar - afirmou o coordenador da Defesa Civil em Mariana, Welbert Stopa: - Houve um boato na cidade de que teve um possível rompimento e que a Samarco estava evacuando a barragem. Ao saber disso, ligamos para a empresa.
Segundo Stopa, a Defesa Civil estadual fez um sobrevoo na barragem. Ainda que a empresa não seja obrigada, ele espera receber um relatório da Samarco sobre o ocorrido.
Procurada pelo GLOBO, a assessoria de imprensa da prefeitura de Mariana afirmou que não tinha sido comunicada oficialmente do ocorrido até a tarde de ontem, embora tivesse conhecimento da notícia.
Em nota, o governo de Minas Gerais também garantiu que o deslocamento de rejeitos, que ocorreu por volta de meio dia, "não ultrapassou o limite da empresa". O governo informou ainda que, como é de praxe em casos como esse, a empresa enviou um alerta amarelo ( acionado quando há uma situação com potencial comprometimento de segurança da estrutura).
Representantes do Núcleo de Emergências Ambientais ( NEA), da Secretaria estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável ( Semad), foram deslocados para a barragem para fazer uma avaliação ambiental da ocorrência.
PF INDICIOU A SAMARCO
No último dia 13, a Polícia Federal indiciou a Samarco, executivos da empresa, a Vale e a empresa Vogbr, responsável pela declaração de estabilidade das barragens, por crimes ambientais, uma vez que a lama provocou danos no Rio Doce, que passa por Minas e Espírito Santo e é de propriedade da União. A investigação sobre as mortes e as causas do desastres ficou a cargo da Polícia Civil mineira.

O Globo, 28/01/2016, País, p. 11

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