Folha de Boa Vista - http://www.folhabv.com.br/
Autor: Andrezza Trajano
10 de Nov de 2011
Considerar as opiniões de diferentes segmentos para construir uma política desenvolvimentista para o Estado é o que pensa o ambientalista Márcio Santilli, coordenador do Programa de Políticas e Direitos Socioambientais do Instituto Socioambiental (ISA) e um dos fundadores da organização.
O tema norteou as discussões do seminário Diversidade Socioambiental de Roraima, realizado pelo ISA. O evento terminou ontem, no auditório da Universidade Federal de Roraima (UFRR), e reuniu autoridades, acadêmicos, representantes da classe produtiva e líderes indígenas em torno de um debate único: gerar desenvolvimento com o menor impacto ambiental possível.
Para Santilli, o entendimento mútuo é o único caminho para o fim do conflito que se perpetua há anos no Estado. A criação de territórios indígenas e de reservas ambientais é vista como um "freio" ao crescimento econômico por uma parcela significativa da sociedade.
"Não há uma receita de bolo. Colocamos à mesa diferentes instituições e segmentos sociais de Roraima para que conversem entre si sobre as condições de vida das pessoas. Acreditamos numa relação positiva e respeitosa, que pode resultar em uma estratégia eficiente de desenvolvimento", destacou.
Segundo ele, é preciso esforço de todas as partes envolvidas no processo, no sentido de usar sua energia para construir algo em comum. Antes, essas mesmas partes, que no evento sentaram para discutir o futuro de Roraima, disputavam terras e outros interesses particulares.
Santilli destacou ser impossível pensar em desenvolvimento sem levar em consideração as necessidades das pessoas e do meio ambiente. "Quando a gente coloca a questão na forma de um conflito inseparável, entre o ambiente e as pessoas, teremos um plano insolúvel", observou.
Com mais de 450 mil habitantes e um extenso território, o ambientalista descreve o cenário de Roraima como propício para atender aos interesses dos diversos segmentos da sociedade. "Temos um território generoso, com várias diversidades de ambiente e cultural que atendem com folga e ainda sobra para bancar boas condições de vida para os habitantes e seus descendentes", afirmou.
Logo, avalia que não é por falta de terra ou de espaço que Roraima não tenha um projeto consistente de Estado. "Estou convencido, e não é de agora, que Roraima tem todas as condições para proporcionar o melhor nível de vida do Brasil", frisou.
Márcio Santilli descreve pontos que considera pertinentes ao desenvolvimento sustentável. Primeiro, segundo ele, é preciso "parar de gastar energia com conflito". "Agora que já estão definidas as principais demarcações, que já estão superadas as principais pendências existentes no passado, temos que jogar energia de todos os setores dentro de uma agenda positiva, e não de uma agenda de conflitos", disse.
A segunda coisa a se fazer é o uso consciente dos recursos disponíveis no Estado, como a terra, água e potenciais energéticos. "Roraima tem um potencial imenso de diversidade cultural e ambiental, onde esses dados poderiam ser usados em alguma estratégia para servir a um turismo diferenciado, cultural, sobre a vida dos índios, ou apenas para conhecer os diferentes ambientes desse Estado, que é lindo", ressaltou.
ISA - O Instituto Socioambiental é uma organização que foi fundada há 17 anos, com o objetivo de trabalhar em cima de conflitos de natureza socioambiental existentes no país. Há aproximadamente três anos atua em Roraima.
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.