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Sabesp tira dúvidas de moradores preocupados com crise da água

G1 - g1.globo.com/fantastico
09 de nov de 2014

Sabesp tira dúvidas de moradores preocupados com crise da água
Mesmo com a chuva dos últimos dias, reservatórios continuam em níveis alarmantes. É a pior crise de abastecimento da história.

Em São Paulo, mesmo com a chuva dos últimos dias, os reservatórios continuam em níveis alarmantes. No meio da pior crise de abastecimento da história, os moradores estão preocupados e querem saber: até quando vai ter água na torneira?
O Fantástico levou as principais dúvidas de quem mora em São Paulo diretamente a quem tem o dever de responder: a Sabesp, companhia de saneamento básico do estado.
O Fantástico foi a vários pontos de São Paulo e conversou com muita gente para saber: quais são as preocupações? O Fantástico deu espaço para a população perguntar tudo o que queria saber sobre falta d'água. E levou as dúvidas direto para a Sabesp. O que eles têm a dizer?
"Está tendo realmente corte do fornecimento lá na região onde eu moro, que é Guaianazes. Entre 18h e 19h, todo dia, falta água e só retorna no período da manhã. Eu gostaria de saber se está tendo ou não o racionamento?", pergunta Josias Tito Teixeira, morador da Zona Leste - SP.
"Não, não está tendo o racionamento. Não existe corte como foi falado, não existe nenhuma situação onde a Sabesp deliberadamente provoque condições. O que a Sabesp está fazendo é a gestão de pressão durante o período da noite. Diminuir a pressão", garante Marco Antônio Lopez de Barros, superintendente de produção de água da Sabesp.
Mas, para Marussia Whately, especialista em gestão de recursos hídricos, na prática, a redução funciona, sim, como um racionamento: "Isso é uma redução da pressão, diminuição da quantidade de água que tem na rede, e em algumas casas, vai ficar sem água. Tem um termo técnico, mas é uma forma de racionamento sim", defende Marussia Whately, coordenadora do Instituto Socioambiental.
Em diferentes pontos da Região Metropolitana de São Paulo, os moradores também relatam falta d'água constante. Mesmo com tantos exemplos, de tantos lugares, para a Sabesp, esses são problemas isolados.
"A gestão de pressão noturna foi intensificada este ano no período de gestão da crise. Pontualmente, alguns problemas podem surgir nos locais que têm um abastecimento menos favorável: pontos mais altos e mais distantes. Tem um monte de condições que partem desde problemas na rede de abastecimento, podem passar pelo ramal e até mesmo pelas instalações internas do cliente", explica Marco Antônio Lopez de Barros.
"Mas o fato é que existe diminuição de pressão e a água falta na casa das pessoas", afirma Marussia Whately.
Em alguns lugares, a reclamação é a qualidade da água. No bar do seu Eduardo, na Casa Verde, Zona Norte de São Paulo, tem água durante o dia. Mas ela sai esbranquiçada, parece um leite.
"Não dá para tomar essa água não. Por que a água está desta cor e se eles tomariam essa água?", questiona Eduardo.
"Eu tomaria isso e já tomei várias vezes. Normalmente, isso está associado a um aumento de pressão e grande velocidade na rede. Na hora que ele abre a torneira, a água vem com grande velocidade e acaba provocando esse turbilhonamento. São pequenas microbolhas de ar que acabam surgindo na hora que ele abre a torneira", responde Marco Antônio Lopez de Barros.
As pessoas estão com medo do que pode acontecer.
"Ninguém sabe o que faz. Se vai comprar caixa d'água, se vai reservar água, se vai comprar água filtrada ou não? Ninguém sabe. Não tem orientação nesse sentido", questiona Josias Teixeira.
"Nós não recomendamos que as pessoas façam estoque de água. Primeiro, porque, de alguma forma, você acaba desequilibrando o consumo de toda região, além do problema que pode trazer riscos sanitários. As caixas d'água serviriam muito para que eles pudessem, nesses momentos de interrupção, continuar a ser atendidos sem que provocasse qualquer tipo de desconforto", alerta o superintendente de produção de água da Sabesp.
"Quanto tempo São Paulo vai aguentar essa crise?", pergunta uma mulher.
"É possível chegar até o final de novembro de 2015 em condições de atendimento", garante Barros.
Mas as imagens das represas preocupam. São seis sistemas que abastecem a Região Metropolitana. Os três principais são os mais críticos. Neste sábado (8), o Guarapiranga estava com 36,9%; o Alto Tietê com 8,4%; e o Cantareira com 11,5%, já incluindo a captação de um possível segundo volume morto, a reserva que fica abaixo do nível das comportas.
O Sistema Cantareira é o mais importante: abastecia quase 9 milhões de pessoas no começo da crise. Agora atende 6,5 milhões. A diferença foi compensada por outros mananciais.
"Ainda existe volume dentro da primeira reserva técnica para que a gente continue usando. E estamos aguardando que sejam feitas todas as liberações para o uso da segunda reserva", avisa Marco Antônio Lopez de Barros.
"O volume morto é como se a gente pensasse que ele é um cheque especial. Eu já consumi meu orçamento, aquilo que eu tinha, agora vou pegar uma parte que eu não deveria usar", alerta Marussia Whately.
Uma análise inédita feita pela organização TNC com dados da Sabesp mostra que o total de água disponível para a Região Metropolitana vem perdendo volume desde 2009. Mas a queda se acentuou a partir da compensação do Cantareira por outros mananciais, em meados deste ano.
"Nós temos uma capacidade ainda que poderia ser explorada e vamos buscar dessa capacidade", avisa o superintendente de produção de água da Sabesp.
"A previsão é essa: uso o volume morto, seco o Alto tietê, diminuo a Guarapiranga. Dizer que vai ter água até novembro, é contar que vai chover esse ano, que a redução de pressão vai continuar e que as pessoas vão continuar economizando", diz Whately.
"Se não chover, o que eles vão fazer?", questiona o comerciante Raimundo de Araújo.
"Nós teremos que reavaliar a operação que nós fazemos para continuar garantindo que a gente atravesse este período", responde Barros.
A Sabesp afirma que a diminuição da pressão, uma das medidas que mais ajudaram a economizar até agora, veio mesmo para ficar. "A gente não deve abandonar, nunca mais. É uma condição que vai perpetuar-se dessa forma, porque é a melhor condição para o aproveitamento da água, sem desgaste da tubulação e sem desperdício. Essa é a herança que a crise nos trará", avisa Marco Antônio Lopez de Barros.

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