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Sabesp estuda importar água e cobrar mais caro

OESP, Cidades, p. C3
06 de ago de 2004

Sabesp estuda importar água e cobrar mais caro
Companhia já está revendo o plano de abastecimento da região metropolitana

Mauro Mug

Técnicos da Companhia de Saneamento Básico do Estado (Sabesp), que está trabalhando no limite de sua capacidade, estão revendo os estudos do Plano Diretor de Abastecimento de Água da Região Metropolitana de São Paulo.
Entre as sugestões de alteração está o uso de água, a partir de 2006, das Represas Biritiba e Paraitinga, na região do Alto Tietê, e do braço do Rio Pequeno, um dos formadores da Represa Billings. Também estão sendo avaliadas a importação de água do Rio Juquiá, no Vale do Ribeira, e a reversão de parte do Rio Itapanhaú, que surge perto da nascente do Rio Tietê.
Buscar água em outras regiões pode ter reflexos no preço das tarifas. "Hoje, o custo da água no Cantareira é de R$ 0,03 por m3. Caso se vá buscar água em Barra Bonita, no Médio Tietê, por exemplo, esse custo subiria para R$ 0,54 por m3", explica José Everaldo Vanzo, diretor da Sabesp, Para o vice-presidente da Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (Abas), João Carlos Simanke de Sousa, uma alternativa para evitar o risco de falta de água seria o aproveitamento do Aqüífero Guarani para abastecer as regiões de Piracicaba ou de Campinas, o que já está em discussão na Fundação Agência da Bacia Alto Tietê.
O presidente do Comitê das Bacias Hidrográficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí e prefeito de Rio Claro, Cláudio Antonio de Mauro, defende também a intensificação de campanhas de uso racional e a redução das perdas por vazamento. Segundo o presidente da Associação dos Serviços Municipais de Saneamento, Silvano Silvério, a média de perdas de água no Estado é de 40%, sendo que 60% delas estão na irrigação. "Isso tem reflexos drásticos na escassez de água e no valor cobrado dos usuários."
Economia - Atualmente, a Sabesp está usando 27,9 m3/s do Sistema Cantareira, quando normalmente usaria 31 m3/s. Essa economia está sendo possível graças à redução no consumo que a população está fazendo e porque o Sistema Alto Tietê está abastecendo alguns bairros da zona leste e o Guarapiranga, a região da Avenida Paulista, que antes era atendida pelo Cantareira.
Os seis sistemas de abastecimento da região metropolitana produzem 68 m3/s, quantidade que empata com o consumo de cerca de 9 milhões de habitantes.
Além disso, 3 milhões de pessoas utilizam 12 mil poços, dos quais apenas 5 mil são registrados no Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee).

OESP, 06/08/2004, Cidades, p. C3

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