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Sabesp admite que rodízio pode contaminar água

OESP, Metrópole, p. A18
26 de Fev de 2015

Sabesp admite que rodízio pode contaminar água
Diretor disse em CPI que problema não colocaria usuário em risco; empresa também afirmou que pressão está fora da norma

Pedro Venceslau e Fabio Leite - O Estado de S. Paulo

O risco de contaminação da água admitido nesta quarta-feira, 25, pelo diretor metropolitano da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Paulo Massato, em caso de rodízio oficial já é realidade em algumas regiões altas da Grande São Paulo. São locais onde a rede fica despressurizada após o fechamento manual dos registros na rua, conforme um alto dirigente da empresa admitiu ao Estado no início do mês.
"Se implementado o rodízio, a rede fica despressurizada, principalmente em regiões de topografia acidentada, nos pontos em que a tubulação está em declive. Se o lençol freático está contaminado, isso aumenta o risco de contaminação (da água na rede)", afirmou Massato, nesta quarta, durante sessão da CPI da Sabesp na Câmara Municipal.
O resultado desse contágio, segundo ele, não colocaria a vida dos consumidores em risco, mas poderia causar disenteria, por exemplo. "Nós temos hoje medicina suficiente para minimizar risco de vida para a população. Uma disenteria pode ser mais grave ou menos grave, mas é um risco (implementar o rodízio) que nós queremos evitar ", completou. Apesar do alerta, ele disse que a estatal poderia "descontaminar" rapidamente a água afetada.
No início do mês, um dirigente da Sabesp admitiu ao Estado que em 40% da rede onde não há válvulas redutoras de pressão (VRPs) instaladas, o racionamento de água é feito por meio do fechamento manual, flagrado pela reportagem na Vila Brasilândia, zona norte da capital. Segundo ele, a manobra "não esvazia totalmente" a rede, mas "despressuriza pontos mais altos".
"A zona baixa fica com água. Se não houver consumo excessivo, a maior parte da rede fica com água. Acaba despressurizando zonas altas, isso acontece mesmo. Tanto é que quando abre (o registro) para encher de novo, as zonas mais altas e distantes acabam sofrendo mais, ficando mais tempo sem água", afirmou.
Para o engenheiro Antonio Giansante, professor de Engenharia Hídrica do Mackenzie, é grande o risco de contaminação em caso de fechamento da rede. "Em uma eventualidade de o tubo estar seco, pode ser que entre água de qualidade não controlada, em geral, contaminada por causa das redes coletoras de esgoto, para dentro da rede da Sabesp."
Segundo interlocutores do governador Geraldo Alckmin (PSDB), a declaração desagradou o tucano, uma vez que o rodízio não está descartado. Massato já havia causado constrangimento ao governo ao dizer, em 27 de janeiro, que São Paulo poderia ficar até cinco dias sem água por semana em caso de racionamento.

Fora da norma. Massato e o presidente da Sabesp, Jerson Kelman, que também prestou depoimento à CPI, admitiram aos vereadores que a empresa mantém a pressão da água na rede abaixo do recomendado pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), conforme o Estado revelou no início do mês. Segundo o órgão, são necessários ao menos 10 metros de coluna de água para encher todas as caixas.
"Nós estamos garantindo 1 metro da coluna de água, preservando a rede de distribuição. Mas não tem pressão suficiente para chegar na caixa d'água", admitiu Massato. "Estamos abaixo dos 10 metros de coluna de água, principalmente nas zonas mais altas e mais distantes dos reservatórios."
"Essa é uma medida mitigadora para evitar algo muito pior para a população, que é o rodízio", afirmou Kelman. "São poucos pontos na rede em que não se tem a pressão exigida pela ABNT para condições normais. Isso não é uma opção da Sabesp. Não estamos em condições normais", completou.
Em dezembro, Alckmin disse que a Sabesp cumpria "rigorosamente" a norma técnica. A Sabesp foi notificada pela Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp) e respondeu na terça-feira aos questionamentos feitos sobre as manobras na rede. O órgão fiscalizador, contudo, ainda não se pronunciou.

Ar encanado. Questionados sobre a investigação do Ministério Público Estadual que apura suposta cobrança por "ar encanado" pela Sabesp, revelada pelo Estado, os dirigentes da empresa disseram que a prática atingiu apenas 2% dos clientes. Das 22 mil reclamações registradas em fevereiro sobre aumento indevido da conta, 500 culpavam o ar encanado. O problema ocorre quando a água retorna na rede e empurra o ar de volta para as ligações das casas, podendo adulterar a medição do hidrômetro. / Colaborou Ricardo Chapola

Multa atinge 12% dos clientes da Grande SP

Balanço parcial divulgado ontem pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) mostra que 12% dos clientes na região metropolitana foram multados porque aumentaram o consumo de água neste mês. Segundo a empresa, 19% dos consumidores da Grande São Paulo continuam consumindo água acima da média antes da crise (de fevereiro de 2013 a janeiro de 2014), dos quais 12% gastaram mais de 10 mil litros no mês e são alvo da sobretaxa implementada no mês passado.
Pela regra, quem consome até 20% acima da média pré-crise pagará uma tarifa 20% maior. Quem elevar o consumo acima desse limite pagará sobretaxa de 50% sobre o valor total da conta. Em janeiro quando a multa entrou em vigor, 22% dos clientes haviam aumentado o consumo.
Neste mês, segundo o balanço parcial, 81% reduziram o consumo. De acordo com a Sabesp, a economia com o bônus chegou a 6,3 mil litros por segundo, 16% a mais do que em janeiro, quando a redução foi de 5,4 mil litros por segundo. Na comparação com mês de dezembro, antes da adoção da sobretaxa, a economia obtida agora é 1,5 mil litros por segundo maior, abaixo da meta estipulada pelo governo, de 2,5 mil litros.
Segundo a Sabesp, 60% das altas de consumo de água foram provocadas por vazamentos internos nos imóveis e 38% foram altas isoladas ou alteração de perfil do cliente, como um comércio que se expandiu ou uma família que cresceu. Nesses casos, o consumidor pode contestar a multa em uma agência da Sabesp e a empresa promete corrigir a conta.

Conta
O presidente da Sabesp, Jerson Kelman, também admitiu na CPI na Câmara Municipal que a empresa pode pedir reajuste da tarifa de água acima da inflação para equilibrar as finanças da companhia, abaladas pela crise hídrica e por causa do aumento de custos operacionais, como de energia, e da alta do dólar.

Governo vê 'baixa probabilidade' de adotar racionamento
Obra de interligação do braço Rio Grande da Billings com a Represa Taiaçupeba deve começar neste mês

O presidente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Jerson Kelman, disse ontem que a implementação de um rodízio oficial de água na Grande São Paulo "é um evento de baixa probabilidade".
"Não está afastada a hipótese de rodízio, embora os cálculos indiquem que é um evento de baixa probabilidade", afirmou Kelman, após depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Sabesp na Câmara Municipal.
"Na hipótese de preservação da atual situação, levando em consideração quanta água temos em estoque, levando em consideração cenários pessimistas de quanta água chegará nos vários sistemas produtores e levando em consideração um cronograma de obras, fazendo as contas, chego à conclusão de que não será necessário o rodízio. Agora, não estou afirmando que não terá rodízio porque é claro que o cronograma poderá atrasar, claro que o cenário hidrológico que estamos usando poderá ser pior", disse Kelman aos vereadores.
A principal obra a ser feita é a interligação do braço Rio Grande da Represa Billings, em São Bernardo do Campo, com a Represa Taiaçupeba, em Suzano, que levará 4 mil litros de água por segundo para o Sistema Alto Tietê, que também está em situação crítica e tem uma estação de tratamento com capacidade de produção ociosa em cerca de 5 mil litros.
Segundo o governador Geraldo Alckmin (PSDB), a obra começará a ser executada ainda neste mês e deverá ser concluída em julho. Para que o Rio Grande consiga "socorrer" o Alto Tietê, a Sabesp vai enviar água do corpo poluído da Billings para a barragem limpa.
Outras obras para enviar água do Rio Guaió para o Alto Tietê e do Rio Juquiá para o Sistema Guarapiranga também devem aumentar a oferta de abastecimento da Grande São Paulo. Com mais água no Alto Tietê e no Guarapiranga, a Sabesp pretende reduzir a abrangência do Cantareira de 6,5 milhões de consumidores para 5 milhões.
Segundo o diretor metropolitano da Sabesp, Paulo Massato, a companhia vai aguardar o fim de março, que marca o término da estação chuvosa, para definir se haverá ou não rodízio oficial de água na região metropolitana. "Trabalhamos com um cenário muito pessimista, de 80% das chuvas ocorridas em 2013 e 2014 (início da atual crise), o que nunca tinha acontecido antes. Ou seja, estamos trabalhando com um cenário que nunca aconteceu."

Fevereiro. Após janeiro deste ano ser o mais seco em 85 anos no Sistema Cantareira, o mês de fevereiro registra chuvas 36% acima da média e uma entrada de água nos reservatórios três vezes maior. Ontem, o nível do sistema subiu 0,1 ponto porcentual, chegando a 10,8%, já recuperando a segunda cota do volume morto. A Sabesp usa essa reserva profunda e aposta em outras cotas de até 80 bilhões de litros para atravessar os meses de seca, que vão de abril a setembro. /F.L.eP.V.

OESP, 26/02/2015, Metrópole, p. A18

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