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Rússia rejeita acordo de Kyoto. De novo

OESP, Geral, p. A13
05 de dez de 2003

Rússia rejeita acordo de Kyoto. De novo
A confusão no governo russo é geral e cada assessor diz uma coisa. Putin não se decidiu

MOSCOU - A confusão sobre a posição da Rússia em relação ao Protocolo de Kyoto aumentou ainda mais. O conselheiro econômico do Kremlin, Andrei Illarionov, disse ontem que na terça-feira, quando anunciou que seu país não assinaria o acordo, estava falando em nome do presidente Vladimir Putin, que teria considerado o tratado "inaceitável".
Na quarta, o vice-ministro do desenvolvimento e comércio, Mukhamed Tsikanov, desmentiu Illarionov, declarando que a Rússia caminhava, sim, para ratificar o acordo, embora a decisão ainda não estivesse oficialmente tomada. Sua declaração foi saudada com alívio pelas Nações Unidas, que promovem uma reunião em Milão sobre o assunto. Ontem, porém, Illarionov reforçou sua posição, ao invocar o nome do presidente.

Analistas afirmam que a confusão toda se deve ao fato de Putin ainda não ter tomado uma decisão sobre o tratado, cujo objetivo é reduzir a emissão de gases do efeito estufa. E é pouco provável que Putin o faça antes das eleições presidenciais, marcadas para março. As declarações contraditórios seriam uma forma de checar as reações a diferentes posições. Os Estados Unidos vêm pressionando a Rússia a rejeitar o tratado, enquanto a União Européia insiste para que o Kremlin o aceite. O apoio dos russos - responsáveis por 17% das emissões - é fundamental para a sobrevivência do Protocolo de Kyoto, desde que os americanos se negaram a assiná-lo, em 2001.

"O vice-ministro da economia está enganado. A posição que ele manifestou era a que a Rússia tinha em agosto", disse Illarionov. "A minha declaração reproduzia as palavras do presidente da Rússia."

Créditos - O comércio de créditos pela redução da emissão de gases do efeito estufa mais que dobrou no ano passado, alcançando os 71 milhões de toneladas, com os governos e agências multilaterais respondendo por mais da metade das aquisições. Os dados são de um estudo do Banco Mundial divulgado ontem. O banco tem um projeto pioneiro para o comércio internacional de créditos gerados por corte nas emissões de dióxido de carbono, o principal gás do efeito estufa. (Reuters)

OESP, 05/12/2003, Geral, p. A13

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