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Ruralistas vão usar tratores em 'paralisação parcial' de rodovias

O Globo, País, p. 9
14 de Jun de 2013

Ruralistas vão usar tratores em 'paralisação parcial' de rodovias
Ideia é interromper e liberar trânsito em estradas federais a cada meia hora

EVANDRO ÉBOLI
eboli@bsb.oglobo.com.br

Depois de ameaçar bloquear estradas federais, os deputados ruralistas recuaram e agora prometem fazer hoje uma "manifestação pacífica". Na convocação enviada ontem aos agricultores, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) diz que haverá protestos em pelo menos 22 trechos de rodovias federais e estaduais, em no mínimo oito estados. E recomenda a "paralisação parcial" das rodovias.
- Vamos abrir e trancar. Fecha um pouco, abre um pouco. A cada meia hora. Abre um pouquinho, fecha um pouquinho. Tudo numa boa, com acompanhamento da Polícia Rodoviária - disse o coordenador da FPA, o deputado Luiz Carlos Heinze (PP-RS).
Os produtores rurais vão usar tratores e equipamentos agrícolas no bloqueio das estradas. Os atos vão acontecer das 9h às 14h. Ontem à noite, os organizadores da manifestação ainda fechavam as adesões e algumas não teriam sido contabilizadas. Em Morro Alto, no Rio Grande do Sul, haverá protesto até contra demarcação de uma área de quilombola.
Tom da convocação mudou
Semana passada, os ruralistas falavam em paralisar as rodovias de forma generalizada. "A manifestação vai bloquear as principais rodovias federais e reunir entidades e lideranças dos agricultores em locais públicos e em auditórios, para mostrar à sociedade a insegurança jurídica vivida no campo", dizia o material divulgado no último dia 7.
Ontem, o tom era outro. "Produtores rurais, sociedade organizada e parlamentares estarão mobilizados para um manifesto pacífico em diversos pontos do país. Os manifestantes vão utilizar tratores e equipamentos agrícolas para o bloqueio parcial das rodovias".
A recomendação dos líderes da manifestação é que as faixas e cartazes exibam o slogan "onde tem Justiça, tem espaço para todos".
Os agricultores decidiram fazer essa mobilização após problemas em Sidrolândia, Mato Grosso do Sul, onde indígenas ocuparam uma propriedade rural e um índio foi morto a tiro. A FPA diz que hoje, em Mato Grosso do Sul, há 66 propriedades privadas invadidas por índios. Algumas há mais de dez anos.
Santa Catarina, com manifestações em sete cidades, é o estado onde haverá a maior mobilização dos ruralistas. No Rio Grande do Sul, ruralistas de pelo menos seis municípios anunciaram que vão bloquear estradas.
Os ruralistas reivindicam, entre outras demandas, que as demarcações de terras passem pelo crivo do Congresso Nacional. Segundo Heinze, o setor quer impedir demarcação de terra produtiva e que o Ministério da Agricultura, a Embrapa e o Ministério do Desenvolvimento Agrário participem das decisões sobre demarcações de áreas para indígenas.
"O setor entende que não é justo a Funai, isoladamente, demarcar áreas de terras que há tempos os índios deixaram de ocupar", diz o manifesto dos ruralistas.
A FPA argumenta ainda que já há terras demais destinadas a comunidades indígenas. Os índios ocupariam hoje 125 milhões de hectares de terras, que representam 14,69% do território brasileiro. "A sociedade precisa saber que essas ações perturbadoras, que mostram um cenário de terror, avançam sobre áreas produtivas de alimentos, consolidadas e muitas vezes com títulos de propriedade emitido pelo próprio Poder Público", diz o panfleto da FPA.

O Globo, 14/06/2013, País, p. 9

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