JT, Politica, p.A4
08 de Jan de 2004
Roraima: governo garante demarcação de terras Apesar dos protestos de fazendeiros e de parte dos índios, Funai garante que área indígena será homologada
O presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Mércio Gomes, disse ontem que o governo não vai recuar e continua decidido a oficializar a demarcação da área indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, apesar dos protestos de fazendeiros e índios. Gomes disse que o bloqueio de estradas no Estado e a invasão da sede da Funai em Boa Vista são o resultado da resistência orquestrada por sete fazendeiros plantadores de arroz que perderão suas terras com a homologação da área. Segundo ele, os índios que apóiam o movimento foram "aliciados" e são minoria em relação aos que defendem a existência da reserva.
"De modo algum voltaremos atrás. O que estamos vendo é o desespero de sete rizicultores que promovem essa algazarra porque acham que têm mais direitos do que os índios", disse o presidente da Funai. "A área já está demarcada.
Não há mais retorno."
O protesto foi deflagrado após o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, declarar que a terra indígena será homologada até o fim do mês. A assessoria de Bastos informou que ele conversou ontem por telefone com o governador de Roraima, Flamarion Portela (PT). Ficou acertado que o governador e a bancada do Estado no Congresso se encontrarão com Bastos provavelmente amanhã, em Brasília. A Polícia Federal limitou-se a acompanhar os protestos e manter o ministro informado.
Com 1,7 milhão de hectares, a Raposa Serra do Sol foi demarcada em 1998 e, segundo o Ministério da Justiça, é a 13ª maior reserva do País. Toda tentativa de homologação esbarra em protestos de fazendeiros e de parte dos índios. O segundo dia de protesto ganhou ontem a adesão de donos de postos de gasolina da capital. A maioria parou de vender combustível, a pedido dos produtores, cuja meta inicial era paralisar toda atividade comercial na cidade. Nas estradas o bloqueio iniciado terça-feira pelos produtores foi mantido. Segundo líderes do movimento, o tráfego só será liberado quando houver uma manifestação clara do governo sobre a situação, que qualificam de "insustentável".
JT, 08/01/2004, A4
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.