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Rizicultores querem que serviço seja mantido

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
27 de Set de 2005

Uma comitiva de indígenas, liderada pelo secretário de Estado do Índio, Adriano Nascimento, esteve na tarde de ontem na balsa do Passarão para tratar da administração do transporte. A equipe de reportagem da Folha esteve no local e constatou que tudo estava calmo e a balsa realizava a travessia normalmente. Os indígenas alegam que estão sofrendo com a demora da balsa além da cobrança de diesel para a travessia.
Todo o impasse teve início quando a balsa quebrou, na semana passada, no início dos festejos da homologação da reserva indígena Raposa/Serra do Sol. O administrador da balsa Antônio dos Prazeres, disse que no mesmo dia que veio para Boa Vista mandar concertar o motor de partida, a índia Tiele Moraes roubou a balsa, levando para a outra margem, na área da reserva.
Tiele confirma a acusação e alega que levou a balsa para a outra margem do rio Uraricoera como um ato de protesto. "Foi uma judiação que fizeram, porque a balsa não quebrou. Como é que quebra justamente do lado de cá, e ainda na semana dos festejos. Quando quebra não escolhe lugar certo. Estamos sofrendo com essa balsa, porque demora muito. Puxei a balsa num motor 40 para o outro lado como ato de protesto para poderem arrumar. Ela deve ficar à noite do lado de lá", afirmou.
Durante a reunião, a Polícia Militar estava presente e nenhuma ocorrência foi registrada. O presidente da Associação dos Produtores de Arroz, Paulo César Quartieiro, esteve presente na reunião e disse que nenhum comunicado oficial foi prestado pelo Governo do Estado para que entregasse a administração da balsa.
"Eles [índios] estão querendo pegar a balsa na marra. Mas, isso não pode acontecer porque existe um convênio onde administramos a balsa. Mais de 100 mil reais foram gastos para recuperar essa balsa e tivemos toda uma despesa. Sabemos que o nosso acordo foi verbal e estamos cumprindo o que foi acordado", disse Paulo César.
Segundo o rizicultor, durante quase dois anos, os produtores de arroz mantiveram a balsa e nenhum problema foi registrado. "Antes tudo estava deteriorada e hoje está tudo arrumado, além da segurança. Essas pessoas querem ficar com a balsa para cobrar como faziam antes, o carro era 10 reais e carreta 60 reais. Nunca cobramos taxa, mas quem podia doar diesel aceitávamos. Já que manter uma balsa é uma grande despesa", explicou.
Quartieiro esclareceu que o objetivo do trabalho sempre foi oferecer um bom serviço e caso o governador decida passar a administração da balsa para os índios, espera que o serviço de qualidade seja mantido. "Tentei falar com o governador juntamente com o secretário do índio, Adriano Nascimento e ele não nos recebeu. Mas, ele deve passar a administração para quem quiser, contanto, que nos comunique oficialmente", disse.

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