VOLTAR

Risco de apagão é 'baixíssimo', diz governo

OESP, Economia, p. B3
14 de Fev de 2014

Risco de apagão é 'baixíssimo', diz governo
Ministério de Minas e Energia muda o tom de discurso, reitera que o sistema é seguro, mas já reconhece risco de racionamento.

Anne Warth

O governo mudou o tom e admitiu pela primeira vez o risco de desabastecimento de energia elétrica, ainda que "baixíssimo". O Ministério de Minas e Energia reiterou que o sistema é seguro, mas reconheceu que pode haver dificuldades caso as previsões de chuvas para as regiões Sudeste, Sul e Nordeste nos próximos meses não se confirmem.
"A não ser que ocorra uma série de vazões pior do que as já registradas, evento de baixíssima probabilidade, não são visualizadas dificuldades no suprimento de energia no país em 2014", diz o comunicado.
Anota foi divulgada durante reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE). O secretário de Energia Elétrica do ministério, Ildo Grüdtner, limitou-se a ler o informe, sem responder a perguntas.
Na nota, o ministério reitera que o governo tem condições de garantir o abastecimento de energia, mas admite uma situação adversa. "Finalmente, o sistema elétrico está atravessando uma situação conjuntural desfavorável em termos climáticos, em um momento em que o período úmido ainda não está caracterizado, mas dispõe das condições de equilíbrio estrutural necessárias para o abastecimento do país", informa a nota.

"Risco zero".
O teor da nota oficial contrasta com as recentes afirmações do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. Na semana passada, um dia antes do apagão do dia 4 de fevereiro, Lobão disse que o risco de desabastecimento era nulo. "Estamos com mais de 40% nos principais reservatórios. Não enxergamos nenhum risco de desabastecimento de energia. Risco zero", afirmou na ocasião.
O governo confirmou que as chuvas e o volume de água que chegam aos reservatórios das hidrelétricas do País foram inferiores ao que era esperado no início deste ano.
Segundo o comitê, em janeiro e na primeira semana de fevereiro, as afluências ficaram em 54% da média histórica nas Regiões Sudeste/Centro-Oeste e 42% no Nordeste.

Sobra.
Ainda assim, o Ministério reiterou que há segurança e equilíbrio estrutural. O governo prevê que o consumo neste ano seja de 67 mil MW médios. Nesse cenário, considerando a capacidade instalada no País e um risco de déficit de 5%, haveria uma sobra de energia de 6,2mil MW médios. O consumo médio previsto pelo governo é inferior ao que vem sendo registrado nos últimos dias. Na última quarta-feira, o consumo foi de 73,6 mil MW médios. A demanda tem batido recordes devido ao calor intenso.
O governo não fez nenhum esclarecimento a respeito dos apagões que ocorreram nos últimos dias. Também não fez comentários sobre a despesa como acionamento das usinas térmicas.
A forte seca que atinge o País reduziu o nível dos reservatórios das hidrelétricas. Por isso, o governo decidiu acionar as térmicas, movidas a diesel e óleo combustível, que geram energia mais cara.
No ano passado, o governo bancou a despesa com as termoelétricas para evitar que a conta de luz do consumidor tivesse um reajuste elevado. O aumento na tarifa foi parcelado em até cinco anos, mas não será repassado ao consumidor em 2014. Até agora, nenhuma decisão foi anunciada para este ano.

OESP, 14/02/2014, Economia, p. B3

http://economia.estadao.com.br/noticias/economia-geral,governo-admite-r…

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.