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Rio+20 A terra que queremos

Veja, Rio+20, p. 94-115
13 de Jun de 2012

Rio+20 A terra que queremos
A Conferência sobre o Desenvolvimento sustentável dificilmente apresentará grandes sucessos ou dramáticos fracassos. Mesmo sem o espetáculo festivo da Eco 92, é uma nova chance para reforçar uma postura definitiva, a do consumidor consciente que força empresas e governos a respeitar o ambiente.

A Apollo 17 havia sido lançada de Cabo Canaveral, na Flórida, fazia cinco horas e seis minutos. Viajara 45000 quilômetros a caminho da Lua. Um dos astronautas supostamente Harrison Jack Schmitt, geólogo de formação - pegou a câmera de fabricação sueca Hasselblad acoplada a uma lente de 80 milímetros e começou a fazer as fotos. O sol nas costas do módulo lunar iluminava magistralmente o planeta azul. Aquela imagem de 7 de dezembro de 1972, com um ciclone em cima do Oceano Índico visível no canto superior direito, fenômeno natural que provocara enchentes e devastação na véspera, foi recebida com comoção e logo adotada pelos ecologistas (assim se dizia, então) como símbolo de nossa fragilidade.
O ambientalismo mal havia nascido. Em junho daquele ano, Estocolmo tinha sediado a Primeira Conferência Mundial sobre o Homem e o Meio Ambiente, com a presença de apenas dois chefes de governo - o anfitrião sueco, o primeiro-ministro Olof Palme, e Indira Gandhi, da Índia. Foi quase um baile de debutante, o fim da adolescência de uma ideia que apenas vinte anos depois, no Rio de Janeiro, durante a Eco 92, se encorpou a ponto de, a partir dali, levar o tema da ecologia - hoje se diz sustentabilidade - ao cotidiano das pessoas. À cúpula compareceram 108 chefes de estado e de governo, extraordinário avanço em relação a Estocolmo. Como sempre acontece em encontros dessa natureza, não houve nenhum grande sucesso, tampouco um estrondoso fracasso. Mas, desde então - apesar do aumento da concentração de gases que provocam o efeito estufa na atmosfera e da redução da biodiversidade -, brotaram fenomenais progressos, com a adesão maciça das empresas (elas, bem mais que os governos), ainda que muitas usem o verde como selo de publicidade e não de reais preocupações ambientais.
O embrião de 1972, tornado adulto em 1992, tem agora uma nova chance de mostrar vitalidade. A partir da quarta-feira 13, delegações do mundo inteiro (serão 50000 participantes) começam a chegar ao Rio de Janeiro para a Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável. Dá-se como cerra, entre os dias 20 e 22, a presença de 110 chefes de estado e de governo - mas muito provavelmente sem Barack Obama. O tema central, ao redor do qual tudo se movimentará: a chamada economia verde, ou como o mundo capitalista fará para crescer, em meio a uma crise econômica global, sem engolir de vez os recursos da natureza a ponto de matá-los, deixando a conta pendurada para as futuras gerações.
Hoje, em comparação ao encontro de duas décadas atrás, há a pressão do consumidor, que já não admite comprar produtos de companhias que os fabriquem desrespeitando os limites da Terra, avessas aos cuidados de extração e produção, alheias ao controle de poluição e contaminação. É caminho sem volta. Em 28 páginas, VEJA apresenta uma série de reportagens e artigos que ajudam a fugir da retórica vazia, do dramatismo inútil e da exploração ideológica em retorno dos problemas ambientais que, nas próximas semanas, ocuparão as discussões.

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Veja, 13/06/2012, Rio+20, p. 94-115

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