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Rio visa aos créditos com plantio de seringueira

GM, Nacional, p. A6
17 de fev de 2005

Rio visa aos créditos com plantio de seringueira

O governo fluminense tem estimulado a cultura da seringueira, projeto que, além do objetivo econômico de investimento na produção de látex para a indústria de borracha, visa a contribuir para que o estado participe do mercado de commodities ambientais, no caso o crédito de carbono.

A implantação de seringueiras, segundo o engenheiro agrônomo Aldo Bezerra de Oliveira, coordenador do projeto de heveicultura da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado(Pesagro-Rio), encaixa-se no terceiro item do Protocolo de Quioto, referente ao Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL).

O engenheiro informou que o estado do Rio possui 2,1 milhões de hectares com atividades agropecuárias. Desse total, 1,74 milhão de hectares são pastagens para criação extensiva de bovinos de leite e de corte, mas apenas 440 mil hectares são terras aptas para essa atividade. Os restantes 1,30 milhão de hectares, observou, deveriam ser redirecionados para reflorestamento e sistemas de maior sustentabilidade, como a heveicultura.

Uma pastagem degradada seqüestra quase nada de carbono; quando, porém, se implanta uma floresta no lugar, o diferencial é muito grande, afirmou Bezerra de Oliveira, ao lembrar que os ganhos para o estado ocorreriam por meio da comercialização de créditos de carbono no mercado internacional. Esse mercado começou de forma experimental em dezembro de 2003, na Bolsa de Chicago (Chicago Climate Exchange), e já comercializou uma média de créditos de emissão equivalente a 7,396 mil toneladas de dióxido de carbono/dia, segundo a Secretaria estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação.

Levantamento geo-climático das condições do território fluminense, efetuado pela Embrapa, identificou áreas aptas ao desenvolvimento da cultura da seringueira nas regiões Centro-Sul Fluminense, Noroeste e do Médio Paraíba. O projeto de heveicultura recebeu investimentos da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro(Faperj), no valor de R$ 128,7 mil, e resultou na produção de 8 mil mudas para atender ao programa de pesquisas.

Atualmente, a Pesagro/RJ está introduzindo 12 clones (material genético) de origem asiática e sul-americana, os mais produtivos do mundo, a fim de criar um programa de produção de mudas no estado. A partir de março, serão coletadas as sementes para formar um viveiro de 50 mil mudas.

GM, 17/02/2005, Nacional, p. A6

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