VOLTAR

Rio Paraiba do Sul agoniza

JB, Cidade, p. A15
12 de out de 2005

Rio Paraíba do Sul agoniza
Comissão de Meio Ambiente da Alerj quer moratória para salvar espécies de peixes

Ana Paula Verly

A Comissão de Meio Ambiente da Alerj vai pedir uma moratória de um ano para a construção de novas usinas hidrelétricas no Rio Paraíba do Sul e um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) das já existentes. A decisão foi tomada a partir de um estudo da comissão que aponta as barragens localizadas no rio como as principais responsáveis pela extinção de 25% das espécies de peixes no local. Amanhã, o presidente da comissão, deputado estadual Carlos Minc (PT), pedirá ao Ministério Público estadual que faça denúncia de crime ambiental para exigir a assinatura do TAC e investimentos em medidas de compensação que garantam a diversidade de espécies.
Por meio de levantamentos sucessivos da fauna do Paraíba do Sul, durante 25 anos, o químico José Roberto Araújo e o professor do Museu Nacional da UFRJ, Gustavo Nunan, responsáveis pelo estudo, identificaram que as barragens das hidrelétricas de Funil (Itatiaia) - pertencente a Furnas -, Santa Cecília (Barra do Piraí) e Ilha dos Pombos - propriedades do Sistema Light - afetaram principalmente as espécies de migração. Segundo os especialistas, as construções impedem essas espécies de se deslocarem para as áreas específicas de reprodução, desova e berçário das novas gerações.
- A maioria dos peixes que povoam os trechos em que estão instaladas essas barragens precisa migrar para se reproduzir. Se a falta de providências persistir, a tendência é a extinção dessas espécies - alerta José Roberto Araújo, citando o dourado, o surubim, o curimbatá e a piabanha entre as espécies ameaçadas.
As medidas de compensação propostas pela comissão para as usinas já existentes incluem a recuperação do Rio Paraíba do Sul e a criação de peixes, além do monitoramento e reflorestamento da área.
- As barragens mudam a qualidade da água, que perde os nutrientes provenientes das matas, devastadas pela construção das hidrelétricas - argumenta Minc, lembrando que um estudo dos mesmos pesquisadores levou a Companhia Siderúrgica Nacional a assinar um TAC e investir cerca de R$ 120 milhões na despoluição do Paraíba do Sul, entre 2000 e 2003.
Na ação, Minc propõe ainda moratória de um ano para que sejam realizados estudos mais aprofundados pelas empresas que planejam instalar cinco novas hidrelétricas no rio. Três delas - as de Itaocara, Barra do Pomba e Cambuci - ficariam localizadas no baixo Paraíba, trecho no Noroeste fluminense de grande biodiversidade, devido à proximidade com o mar. O objetivo é minimizar falhas no Estudo de Impacto Ambiental e em seu respectivo relatório (EIA/Rima). A comissão ainda exige, durante esse período, o aperfeiçoamento do Sistema de Transposição de Peixes (STP) e o estudo do impacto conjunto das futuras hidrelétricas, em vez do estudo isolado, conforme recomenda a Lei 3.111/98.
- Não somos contra a construção das usinas. Não queremos um apagão elétrico, mas também não queremos um apagão das espécies do Rio Paraíba do Sul - explica Minc.

JB, 12/10/2005, Cidade, p. A15

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.