OESP, Vida, p. A16
09 de Jul de 2007
Reunião da SBPC começa com defesa da Amazônia
Participantes destacam que os ganhos das pesquisas feitas na floresta devem ficar com população da região
Cristina Amorim, Belém
Os participantes da abertura da 59ª reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), ontem em Belém (PA), enfatizaram a necessidade de se investir mais em ciência e tecnologia na Amazônia. A intenção é que a região se desenvolva sem que seja necessário destruir a floresta e que os ganhos permaneçam com a população amazônica, em vez de ir para outras regiões, como normalmente acontece.
"A Amazônia não é só floresta. Nela habitam 20 milhões de pessoas que precisam de trabalho, renda, qualidade de vida. Não pode ser santuário de ONGs", disse o reitor da Universidade Federal do Pará, Alex Fiuza de Mello. "Não se defende a Amazônia com preservação; defende-se com conhecimento, para que haja uso racional das riquezas que a natureza dá."
Mello foi um dos diversos representantes de órgãos públicos presentes no evento que discursaram textos semelhantes: o desenvolvimento pode ser obtido com a conservação da natureza, desde que mais seja investido na formação de pessoas qualificadas para estudar a biodiversidade local e descobrir o que pode virar produto. "Hoje, como há 20 anos, o Museu Goeldi e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia recebem juntos aproximadamente um quinto dos orçamentos de um Inpe", disse o presidente da SBPC, Ennio Candotti. "Não que o orçamento do Inpe seja muito alto. Isso apenas demonstra o quanto se está defasado na Amazônia."
O mais aplaudido da noite, contudo, foi o jornalista Lúcio Flávio Pinto, que enfrenta atualmente 15 processos por causa de denúncias que fez em seu Jornal Pessoal. Segundo ele, um exemplo da falta de investimentos na região vem da Companhia Vale do Rio Doce, que prefere exportar minério de ferro a beneficiá-lo e produzir aço.
Novas Políticas
Antes do início do evento de abertura, o presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Marco Antonio Zago, disse que pode rever regras de avaliação de bolsistas de pós-graduação para levar e manter pesquisadores nos Estados amazônicos. Ele se encontrou com a diretora do Museu Goeldi, Ida Vieira, à tarde, em Belém.
"Isso talvez possa ser feito de forma temporária apenas para fomentar a pesquisa na região", disse. "Atender a determinadas políticas é o foco." Ele se referia à esperada inclusão das necessidades amazônicas no plano que o ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, monta para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e para o próximo Plano Plurianual.
Atualmente, há poucos pesquisadores de nível 1A, o mais alto do CNPq, na região. Alguns cientistas que fazem pós-doutorado na Amazônia precisam deixar seus projetos depois de um ano porque suas bolsas não são revalidadas. Isso acontece porque eles não estão ligados a cursos com os níveis mais altos de avaliação, que não existem na região. Por sua vez, com a fuga de cientistas, a possibilidade de manter centros de pesquisa de nível elevado é pequena.
OESP, 09/07/2007, Vida, p. A16
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