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Retrato falado é de amigo do menor preso

Estadão do Norte-Porto Velho-RO
Autor: NELSON TOWNES
09 de Nov de 2004

Um retrato falado que não se parece com o menor que confessou o crime, mas com um amigo dele. Uma arma que nunca foi encontrada. Uma testemunha que as autoridades não citavam e que pode mudar o rumo das investigações. Estes são os fatos que marcam o primeiro mês completado hoje do assassinato do sertanista Apoena Meireles.
Apoena, assessor especial do presidente Luis Inácio Lula da Silva para questões indígenas do Norte e Nordeste, um dos maiores sertanistas da história, foi morto a tiros de revólver por volta das 21 horas de sábado, 9 de outubro.
Um estudante de 17 anos, dependente de drogas, confessa ser o autor do assassinato. Ele diz que assaltou o sertanista sem saber quem ele era e que o matou porque reagiu.

INACREDITÃVEL
O motivo do crime é tão banal - ou tornou-se tão banal menores matarem para roubar no Brasil - que, por exemplo, ninguém na FUNAI (Fundação Nacional do Índio) aceita a versão do estudante.
O lendário sertanista que sobreviveu a naufrágios em rios perigosos da Amazônia, enfrentou ataques de onças e interveio, sem armas, em guerras entre índios, apaziguando-os, não poderia ter um fim tão inglório.
A própria simplicidade - ou especial fatalidade - que oficialmente explica o crime faz com que se pense em conspiração.

CONSPIRAÇÃO
O sertanista investigava a participação de gente importante da Capital e do Interior na exploração ilegal e contrabando de diamantes das jazidas localizadas nas terras habitadas pelos índios Cinta Larga - a região da Reserva Roosevelt.
Alguns fatos estimulam a tese de conspiração. Primeiro, a arma do crime jamais foi encontrada. Segundo, a principal testemunha do assassinato não é Cleonice Mansur, apresentada como "testemunha-chave" para os jornalistas.
Terceiro, o retrato falado feito pela polícia com base na descrição do assaltante fornecida por Cleonice, não se parece com o menor que confessou o crime e que se encontra em prisão provisória na Casa do Adolescente da rua Jacy Paraná.

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