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Resultado da visita do GTI ainda é uma incógnita

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
27 de Jan de 2004

Apesar de considerarem importante a vinda do GTI (Grupo de Trabalho Interministerial) a Roraima, representantes da bancada federal se mostraram cautelosos ao avaliar os resultados que os debates do último final de semana podem trazer para a questão indígena/fundiária local. De uma forma geral, as autoridades afirmam que é preciso esperar o resultado final dos trabalhos do grupo para só então saber se a visita vai, de fato, surtir o efeito esperado.

Os parlamentares federais ouvidos pela Folha manifestaram a opinião de que o GTI veio a Roraima apenas para sentir de perto o clima em relação à questão da demarcação da Raposa/Serra do Sol. Alguns dos parlamentares ouvidos disseram que, apensar do coordenador do GTI, Johaness Eck, ter afirmado que não discutiria a questão indígena, esse foi o principal motivo da visita do grupo ao Estado.

Essa opinião foi manifestada pelo deputado Rodolfo Pereira (PDT), para quem os emissários do Governo Federal vieram apenas medir o clima de tensão que ainda reina no Estado em relação ao anúncio feito pelo ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, de que a Raposa/Serra do Sol será homologada em área única. No entanto, o parlamentar disse ter ficado claro para os membros do GTI que "todos são contra a homologação da forma como quer o Ministério da Justiça".

Rodolfo Pereira disse não acreditar muito numa mudança de posição do Governo Federal sobre o assunto, a partir do relatório do GTI. "Acredito, porém, que a decisão do governo possa ser mudada depois da visita das comissões da Câmara dos Deputados e do Senado, que também virão a Roraima nos próximos dias. Esta terá mais poder de influência", observou.

O deputado Chico Rodrigues (PFL) pensa diferente. "Tenho convicção de que a finalidade da visita desse grupo foi estudar de perto a situação para estudar medidas capazes de amenizar os efeitos da homologação da Raposa/Serra do Sol em área única", opinou. Para o parlamentar, Johaness Eck, ao afirmar que não trataria da questão indígena, quis apenas desviar a atenção da população para aliviar o clima de tensão que poderia se criar com a presença do grupo em Roraima.

O deputado federal Almir Sá (PL) disse que conversou com alguns membros do grupo de trabalho e ouviu deles que a visita serviu para coletar informações que subsidiarão o relatório a ser entregue ao presidente Lula. "Mas só poderemos saber se essa vinda terá um resultado positivo para o Estado após a conclusão do relatório. No entanto, torço para que eles cheguem a uma decisão condizente com as reivindicações das entidades indígenas (contarias à homologação da Raposa/Serra do Sol)", comentou.

O mais otimista em relação à vinda do GTI partiu do senador Augusto Botelho (PDT). Ele considerou a visita do grupo de trabalho positiva, mas assinalou que os membros da comissão vieram para ter uma visão do povo em relação ao problema. Na avaliação do senador, as manifestações contrárias à homologação em área única chamaram a atenção para toda a problemática indígena/fundiária local e como isso emperra o desenvolvimento do Estado. "Não estamos mais no tempo de deixarmos Brasília decidir as coisas por nós", disse.

PREFEITA - Na avaliação da prefeita de Uiramutã, Florany Mota (PT), alguns membros do GTI ficaram sensibilizados com em relação à situação conflituosa hoje existente em Roraima.Para ela, foi importante a realização de uma audiência pública para que os técnicos pudessem sentir de perto a angústia dos moradores da região. "No entanto, o resultado desse relatório pode ser uma caixinha de surpresa", disse. (L.V)

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