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Resgatados 143 corpos do vôo 1907

OESP, Metrópole, p. C3
10 de Out de 2006

Resgatados 143 corpos do vôo 1907
Índios oferecem ajuda a militares; caiapós dizem que grupo acampado impediu furto de objetos de passageiros

Laura Diniz

Dos 154 passageiros do vôo 1907 da Gol, 143 já foram resgatados, segundo a Força Aérea Brasileira (FAB). Dos 11 corpos que faltam serem resgatados, alguns já foram encontrados, mas permanecem na mata, segundo o Estado apurou. A missão de busca e salvamento planeja levar hoje ao local do acidente um equipamento capaz de suspender a asa do Boeing, pois há suspeita de que existam corpos embaixo dela. Em Brasília, o Instituto Médico-Legal (IML) identificou 90 dos 106 corpos transportados da Fazenda Jarinã, base das operações de resgate, em Peixoto de Azevedo (MT), até a capital federal.
Os peritos de Brasília reconheceram ontem mais 29 vítimas do acidente. Pela manhã, 12 corpos tinham sido identificados através das impressões digitais, com exceção do menino Daniel de Abreu Lleras, de 5 anos, para o qual foi necessário exame de DNA. Ele viajava no avião com o pai, o publicitário Mário Lleras, de 26, e a avó, a bióloga Ângela Leite.
Ontem, uma comissão de oito índios caiapós e dois funcionários da Fundação Nacional do índio (Funai) estiveram na fazenda para, mais uma vez, se colocar à disposição da FAB. Eles ofereceram ajuda no resgate dos corpos ainda não localizados. No dia 1o, os índios haviam feito a mesma proposta, quando passaram pela fazenda antes de entrarem na selva, rumo ao local do acidente.
Os índios encontraram os destroços do Boeing no dia 3, mas não puderam ficar no local para não atrapalhar os trabalhos dos militares. Isso porque é imprescindível para os peritos que investigam as causas do acidente encontrar as peças do avião, os corpos e objetivos pessoais das vítimas intactos.
Os caiapós decidiram, então, montar um acampamento a 6,2 quilômetros da clareira principal aberta pelos militares. Até ontem, havia 22 índios acampados no local. "Nós não vamos deixar ninguém pegar nada", disse o cacique dos caiapós na região, Megaron Txucarramãe.
Os índios estão ajudando a preservar o local do acidente para impedir a entrada de estranhos. Segundo Mega ron, cinco pessoas que chegaram ao local de canoa, pelo Rio Jarinã, foram impedidas pelos caiapós de roubar pertences das vítimas. O cacique disse ainda que ficará no local até o rim da operação de resgate dos militares.
Em conversa com o coronel Henry Wender, da Comunicação Social da Aeronáutica, o cacique reiterou a disposição dos índios de abrir picadas (pequenas clareiras) na mata, para ajudar no trabalho dos militares. Wender agradeceu a oferta e disse ao cacique que informaria o brigadeiro Jorge Kersul, coordenador das Forças Armadas no local. Ele é quem pode decidir sobre o reforço.
Como os índios disseram ter visto cerca de 20 corpos perto do acampamento, Kersul determinou que uma equipe de resgate vá hoje para mesmo para lá, afim de verificar a informação. Provavelmente, parte desses corpos, ou todos eles, j á foi resgatada pela Aeronáutica, mas a intenção é garantir. Para os índios, quanto antes os corpos forem resgatados, mais rapidamente seus espíritos poderão descansar.

OESP, 10/10/2006, Metrópole, p. C3

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