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Reservas indígenas

O Globo, Carta dos Leitores, p. 6
Autor: NEVES, Octavio Rainho; ANDRADE, Carlos Alberto Lemes de; EOLY, Paulo Marcus Sampaio
26 de Abr de 2004

Reservas indígenas

São oportunos os artigos do deputado Lindberg Farias e do advogado José Armando Falcão, publicados quinta-feira. A homologação em área não contínua da reserva Raposa/Serra do Sol atende a considerações econômicas, sociais e de segurança nacional. Fica em aberto, entretanto, a questão mais ampla da coesão e da soberania do Brasil que podem vir a ser ameaçadas pela extensão das reservas indígenas já homologadas. As reservas milionárias em hectares são bombas que explodirão em futuro talvez não muito remoto como bem aponta o artigo de Falcão, "Esqueceram da soberania nacional". A leitora Circe Vidigal (20/4) tem uma visão romântica da cultura indígena e da sua individualidade no contexto brasileiro e do mundo globalizado. 0 melhor para a sobrevivência dessa cultura é sua imersão no cadinho brasileiro.

Octavio Rainho Neves (por e-mail, 22/4), Rio

O artigo "Esqueceram da soberania nacional", do advogado José Armando Falcão, toca em ponto importante e sensível do problema vivido pelo Brasil nas suas fronteiras do Norte e o faz com maestria, embora ainda timidamente. Não é apenas "exercício de fantasiosa hipótese" o pedido internacional de reconhecimento de nações indígenas em território brasileiro. Recentemente como noticiou sem destaque a imprensa, uma nativa da área, com apoio de estranha fundação americana, pediu à OEA intervenção em Rondônia. No estado, há áreas nas quais o acesso de brasileiros é proibido pelos "missionários" americanos. Os índios que ali residem e que conhecem a região bem sabem disso. E não será de se estranhar que a explosiva combinação do aculturamento dos índios, na época de celular usado em todas as tribos com a ocorrência de filões de diamante, ouro e urânio nas reservas, vejamos as "nações" ianomâmi e cinta-larga se transformarem nos mais novos países da América do Sul.

Carlos Alberto Lemes de Andrade (via Globo Online, 22/4), Resende, RJ

Estamos criando um monstro? Extensas' áreas com enormes vazios demográficos onde se encontram riquezas em minerais, madeiras nobres e biodiversidade. Região abundante em água doce. Reservas indígenas criadas em fronteiras nas quais os índios transitam livremente entre dois países, sobrepondo sua identidade de nação indígena à sua nacionalidade brasileira. Presença de excessivo número de estrangeiros que supostamente se dedicam à preservação do meio ambiente, proteção dos povos indígenas, pregação religiosa e pesquisa científica. Problemas exclusivamente nossos, como a demarcação de reservas e a situação dos índios, estão sendo denunciados a organismos internacionais dando-lhes motivos para se intrometerem em assuntos internos. As disputas sangrentas entre garimpeiros e índios poderão ser manipuladas no exterior como genocídio. E nossas 4 Forças Armadas, a continuar com as severas restrições orçamentárias que vêm enfrentando, poderão perder o poder dissuasório para preservar a paz. Aí estão todos os ingredientes para se chegar a um futuro problema de soberania do Brasil sobre a Amazônia.

Paulo Marcus Sampaio Eloy (por e-mail, 22/4), Resende, RJ

O Globo, 26/04/2004, Carta dos Leitores, p. 6

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