Dourados Agora-Douraos-MS
Autor: César Cordeiro
23 de Set de 2005
Índios querem a compra de áreas vizinhas a Reserva Indígena e não em outra cidade. Fotos: Hedio Fazan
Em reunião realizada ontem no Ministério Público Federal, envolvendo o Superintendente Regional do Incra Luiz Carlos Bonelli, lideranças das aldeias Jaguapiru e Bororó, Procuradoria da Republica e Fundação Nacional do Índio, foi apresentada uma alternativa para ampliação da Reserva Indígena de Dourados, que é de 3.240 hectares. Uma área de 4.500 hectares em uma cidade vizinha foi oferecida aos indígenas pelo Incra. Eles ficaram de pensar sobre a proposta e em uma nova reunião a ser marcada, haverá uma espécie de plebiscito para saber a opinião da maioria. A imprensa não teve acesso a reunião.
Mas o cacique Renato de Souza, índio guarani, afirmou que dificilmente os índios aceitarão se mudar para outro município, apesar da necessidade pela terra. Hoje mais de 11 mil índios dividem um pequeno espaço na Reserva Indígena de Dourados, o que tem dificultado a sobrevivência de muitos deles.
Na opinião de Renato os índios não irão aceitar as terras em outro município. "O índio não sai da terra onde estão enterrados os seus parentes, eles não vão aceitar", opinou o cacique.
Ele disse que os índios querem a compra de áreas vizinhas a Reserva Indígena. "Ou o governo compra as terras vizinhas ou vem um grupo de trabalho identificar estas áreas, os índios não vão esperar mais tanto tempo, estamos cansados de esperar", afirmou.
Os índios das aldeias Jaguapiru e Bororó disseram recentemente que estavam autorizados pelo Incra e Funai a agilizarem a compra de mais 6.000 hectares de terra, de preferência, vizinhas as aldeias de Dourados, para que pudessem triplicar o tamanho da Reserva Indígena de Dourados. Uma comissão denominada "Comissão de Direito da Terra Indígena" voltou animada de uma reunião em Brasília. Até mesmo um veículo ficou de ser locado exclusivamente para que os índios percorressem as fazendas para especular as áreas, porém a idéia não deu certo, dada a dificuldade dos índios na prática neste tipo de negociação.
O presidente do Sindicato Rural Gino Ferreira também informou, na época, que os ruralistas não negociariam com indígenas. Só aceitariam negociar com o Incra ou a Funai.
Antes disso os índios já haviam bloqueado a rodovia MS-156, que liga Dourados a Itaporã em protesto pela falta de terras, principalmente para os índios mais novos. O bloqueio causou um confronto entre índios e produtores rurais, que temiam invasões em suas propriedades.
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