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Representantes das comunidades indígenas pedem paz e desenvolvimento

Brasil Norte-Boa Vista-RR
20 de Abr de 2004

Durante a programação de comemoração pela passagem do Dia do Índio, no Museu Integrado de Roraima, na manhã de ontem, indígenas das comunidades do Flexal, Contão, Raposa, Nova Vida e Camararém, pediam paz e uma decisão na questão Raposa/ Serra do Sol, que seja em prol do desenvolvimento do Estado.
O Tuxaua do Flexal, Abel Barbosa, agradeceu o convite para participar pela primeira vez do evento promovido pelo Governo do Estado, e disse estar comemorando esse dia não somente pelos índios, mas também pelos não-índios, já que todos são cidadãos brasileiros.

"Nós só queremos viver trabalhando, e ver nosso Estado desenvolvido", disse Abel, ao citar o Projeto do Feijão Flexal, desenvolvido no município do Uiramutã, como um exemplo da capacidade das comunidades em se auto-sustentar. O Projeto começou em 2001 com o apoio da prefeitura de Uiramutã, que concedeu as sementes e o maquinário para a colheita de feijão orgânico, que é vendido em Boa Vista.
Também presente no evento, o Tuxaua Messias Faustino da Silva, da comunidade de Nova Vida, pediu uma homologação justa para o Estado.

"Estamos cansados de ver estrangeiros entrar em nossas comunidades e dizer o que devemos fazer com nossas vidas, com nossas terras. Queremos receber visitas das pessoas e vir à idade, ter liberdade. Somos normais, comuns, cidadãos", explicou.
"Nesse dia 19, pedimos respeito, paz e oportunidade de buscar o que é melhor para o nosso povo. Já não queremos plantar usando facões e foices, queremos poder utilizar o plantio mecanizado e, quem sabe no futuro, poder exportar nossa produção".

Meio Ambiente
O presidente da Fundação de Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia, Robério Araújo, falou sobre a homologação da Raposa/Serra do Sol, e disse lamentar a política nacional indígena, "que está colocando índios contra índios e transformando o processo em uma verdadeira guerra de etnias". "O índio é um ser humano que sonha com um mundo melhor, e não está escrito em nenhum lugar que tem que se manter na miséria. Uma índia que carrega um jamachim por 12 horas nas costas não é feliz como as ONG's querem que o Brasil pense. Precisamos dar uma chance para o nosso Estado, através da homologação de forma justa", concluiu Robério.

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