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05 de Ago de 2011
Eliana Karajá, representante do movimento nacional de populações indígenas, disse nesta terça-feira, que "por falta de acompanhamento psicológico, muitos índios se suicidam depois de receberem o diagnóstico positivo para o vírus da aids". Ela participou, em Brasília, da reunião da Comissão de Articulação com os Movimentos Sociais (CAMS), organizada pelo Ministério da Saúde.
Eliana, que integra a comunidade indígena da Ilha do Bananal, no Tocantis, explicou que os técnicos de saúde chegam às aldeias, realizam o teste de HIV, quando o resultado é positivo conversam por pouco tempo com o infectado, e vão embora.
Para ela, o ideal seria capacitar os indígenas que já atuam na área da saúde para darem suporte aos pacientes infectados. "Eu quero que um índio fale para o outro sobre a doença", disse.
Estima-se uma prevalencia de HIV de 0,1% entre os índios brasileiros. Na população em geral, esta média é de 0,6%. As populações indígenas que vivem mais próxima dos meios urbanos são as mais vulneráveis à infecção.
Representando a Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI) no evento, estiveram presentes as técnicas Vera Lopes e Hiojuma Figueiredo.
Hiojuma justificou que a secretaria sempre busca o apoio dos índios para controlar doenças como a aids, a sífilis e as hepatites. "Sabemos que é fundamental a presença deles no momento das ações, mas para fazer o teste de HIV, por exemplo, não é só capacitar as pessoas, até mesmo porque a legislação diz que somente um profissional formado na área de saúde pode executar o exame", explicou.
Segundo ela, o governo não tem conhecimento desses suicídios. "Os dados do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) indicam que desde 1981 houve 14 suicídios entre a população indígena que recebeu o diagnóstico de HIV, mas somente um foi em decorrência do resultado. Os outros estavam ligados a problemas como alcoolismo, o que é muito comum entre os índios", completou.
Já Vera Lopes disse que as principais dificuldades de trabalhar a saúde da população indígena são as barreiras culturais. "Temos no Brasil 220 povos indígenas e 180 línguas", observou. "As pessoas que recebem o diagnóstico de hepatite B, por exemplo, precisam ficar afastadas um ano e meio da sua comunidade para fazerem o tratamento, pois as aldeias são muito distantes de grandes centros", argumentou.
CAMS
A Comissão de Articulação com os Movimentos Sociais (CAMS) foi criada em 2005 para promover integração entre o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde e os movimentos sociais.
O objetivo é atingir bons resultados nas políticas públicas voltadas à prevenção e à assistência das DST/Aids, assim como na promoção dos direitos humanos de pessoas que vivem com HIV.
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