Agência Câmara - http://www.camara.gov.br
Autor: José Carlos Oliveira
01 de Jul de 2011
Frente Parlamentar em Defesa dos Povos Indígenas cobra ações emergenciais do governo para a saúde, a segurança alimentar e a garantia de território dos índios. O coordenador da frente, deputado Ságuas Moraes, do PT do Mato Grosso, manifestou preocupação com os resultados do Relatório de Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil, que acaba de ser divulgado pelo Conselho Indigenista Missionário.
Os números são relativos a 2010. De acordo com o Cimi, a mortalidade infantil cresceu 513% em relação ao ano anterior. A situação mais crítica ocorre entre os Xavantes, no Mato Grosso, e os 20 diferentes povos indígenas que vivem na região do Vale do Javari, no Amazonas. Presidente do Cimi e bispo do Xingu, Dom Ervin Kräutler atribui a elevada mortalidade de crianças indígenas ao descaso das autoridades.
"É inadmissível que, no século 21, crianças morram por desnutrição, problemas respiratórios e doenças infecciosas perfeitamente controláveis. É exatamente o descaso e a omissão por parte dos órgãos governamentais. Não há outra justificativa. O relatório tem a finalidade de sacudir o governo e as autoridades."
Dom Erwin também denuncia que os recursos previstos no Orçamento da União para a instalação de postos de saúde nas aldeias não saem do papel.
"Se qualquer doença ocorre e não se tem para onde correr, ele não pode correr para uma cidade a 200 ou 300 quilômetros. Ele está na aldeia e, na aldeia, está previsto um posto de saúde, mas não funciona. Quer dizer, o dinheiro orçado para essa finalidade não está sendo devidamente aplicado."
A Frente Parlamentar em Defesa dos Povos Indígenas já tem discutido com o Ministério da Saúde o modelo de assistência médica implantado no ano passado, quando a Secretaria Especial de Saúde Indígena assumiu as atribuições da Funasa. O coordenador da frente, deputado Ságuas Moraes, defende ênfase também nas políticas públicas de alimentação e posse de terra para os indígenas.
"Já não se tem mais pesca nem caça e eles ficam sem condições de ter essa segurança alimentar, que é um problema que tem comprometido a saúde deles, tanto do ponto de vista da nutrição quanto da facilidade de pegar doenças infecciosas e contagiosas. Então, tem que haver uma ação muito forte do governo federal no sentido de fortalecer a política de saúde indígena, a questão da garantia de seu território e, principalmente, a garantia da segurança alimentar."
Além da falta de assistência à saúde, o relatório do Cimi também denuncia os efeitos negativos da ação de madeireiros e das obras do PAC em áreas hoje ocupadas por 90 povos indígenas isolados. A íntegra do texto está no site www.cimi.org.br
http://www.camara.gov.br/internet/radiocamara/default.asp?selecao=MAT&M…
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.