Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
08 de Mai de 2005
A expectativa do relator da Comissão Externa do Senado, Augusto Botelho, é que o relatório sobre os problemas da reserva indígena Raposa/Serra do Sol deverá estar concluído em quinze dias. Ele começou a elaborar e vai submeter o texto aos demais membros da comissão. Havendo entendimento o documento será apresentado. O relatório deverá traduzir o sentimento das pessoas que vivem na reserva indígena.
Ao falar sobre o traço médio dos depoimentos colhidos, Botelho disse ser a discordância quanto à forma da demarcação implicando que o relatório deverá apontar a insatisfação de pessoas que moram no Estado. "Nas vilas Socó, Mutum, Água Fria e Surumu, os moradores estão em situação de desespero", comentou.
De acordo com o relator, as pessoas têm consciência que o Governo Federal não é justo na hora de indenizar, efetivar o pagamento e assentar em área equivalente as pessoas retiradas de terras indígenas. "Há uma insegurança total das pessoas e todos têm esperança que o ato presidencial seja revertido na justiça".
O senador confessou-se surpreso com a manifestação dos índios de não esconderem o progressivo desespero diante da atual realidade. "Os índios estão assim por conhecerem a situação da reserva de São Marcos e saberem o que aconteceu em Dourados (MT), onde dezenove crianças morreram de fome", comentou Augusto Botelho.
PARECIDO - O presidente da Comissão, senador Mozarildo Cavalcanti, acredita que o relatório que será elaborado estará em consonância com aquele produzido pela primeira comissão externa do Senado. Argumenta que tanto as declarações passadas quanto as atuais são parecidas.
"Em localidades como Mutum, Socó, Flexal, Água Fria, Contão e Surumu, os moradores não aceitam a separação. Índios e não índios dizem que o governo tenta confundir a opinião pública nacional de que elas não aceitam a demarcação. Conforme eles, todos querem, desde que não excludente. Ou seja, que permita a permanência das pessoas que são daquela região e lá têm suas histórias", declarou Mozarildo.
O senador não duvida que o clima na reserva venha a se agravar. Relata que entre os próprios índios, muitos estão indignados pelo fato de pessoas dali terem que ser expulsas. "Ouvi depoimentos de índias casadas com não índios e índios casados com não índias sobre a possibilidade de separação das famílias. Acabar com as vilas é decretar a morte das pessoas porque vai acabar o comércio que atende aquela população. E não é possível que o Brasil aceite essa insanidade", observou. (C.P)
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