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Relatório aponta vias para o corte de emissões dos EUA

O Globo, Ciência, p. 32
07 de Fev de 2013

Relatório aponta vias para o corte de emissões dos EUA
Obama precisa de medidas concretas para cumprir metas

Cesar Baima
cesar.baima@oglobo.com.br

O governo de Barack Obama precisa tomar medidas urgentes e concretas se quiser cumprir a meta prometida pelo próprio presidente de reduzir em 17% as emissões de gases causadores do efeito estufa dos EUA até 2020 com relação aos níveis de 2005. A conclusão é de relatório divulgado ontem pelo Instituto de Recursos Mundiais (WRI, na sigla em inglês), organização americana dedicada ao estudo e análise de políticas voltadas a questões ambientais e de desenvolvimento sustentável, que também aponta as principais vias para o país alcançar o objetivo mesmo sem a aprovação de novas leis no Congresso.
Segundo o levantamento do WRI, são quatro os caminhos mais promissores para que os EUA atinjam a meta com base na atual estrutura legal federal.
O primeiro e mais importante, já em preparação pelo governo Obama, é o estabelecimento pela Agência de Proteção Ambiental (EPA) de limites menores de emissões por novas usinas elétricas acompanhados por exigências de que as atuais geradoras, notadamente as movidas a carvão, reduzam suas emissões. Hoje, a geração de energia responde por 33% das emissões americanas, e a ideia é fomentar a construção de usinas movidas a gás natural, menos poluente que as a carvão, ao mesmo tempo em que estimula a conversão das últimas ao novo combustível, tirando proveito do recente boom na exploração do chamado gás de xisto (shale gas) no país.
- O governo tem múltiplas maneiras de avançar com políticas inteligentes para reduzir as emissões dos EUA e a melhor delas é impor novos padrões para as usinas existentes, que respondem por um terço das emissões americanas - defende Nicholas Bianco, principal autor do relatório.
Para que isso tenha o efeito desejado, no entanto, o governo Obama também deve estabelecer regras mais duras na própria exploração de gás de xisto, exigindo um controle maior nos vazamentos de metano, gás-estufa de 30 a cem vezes mais poderoso que o CO2 quando na atmosfera. Estudos recentes mostram que o metano escapa dos poços de exploração de gás de xisto a taxas que variam de 4% a mais de 10% do volume produzido, o que efetivamente anula sua vantagem sobre o carvão na geração de energia. Por fim, os governos também deve combater as emissões não ligadas à geração de energia, principalmente as de hidrofluorocarbonos (HFCs), e instituir políticas de eficiência energética para a indústria e eletrodomésticos.
- Com uma liderança forte e ações ambiciosas, o governo pode fazer uma diferença significativa - resume Andrew Steer, presidente do WRI. - Cumprir a meta de 17% sinalizaria ao mundo que os EUA estão levando a sério as mudanças climáticas, e o governo tem as ferramentas para isso.

O Globo, 07/02/2013, Ciência, p. 32

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