OESP, Especial, p. H5
09 de Set de 2010
Rede de esgoto cresce em ritmo mais lento do que o da população
Mesmo com 4,3 milhões de novas ligações, porcentual de casas com saneamento básico diminuiu no ano passado
Wilson Tosta
A Pnad detectou que em 2009 houve, contraditoriamente, aumento no número absoluto e redução na proporção de domicílios atendidos por rede de esgoto no Brasil.
De acordo com a sondagem, 4,392 milhões de residências passaram a ser ligadas à rede coletora ou fossa séptica em 2009 - passando de 30,208 milhões para 34,6 milhões. Mas, em relação ao total de residências, houve nesse indicador recuo de 59,3% para 59,1%, pois o total de domicílios do País aumentou mais que o sistema coletor.
Com isso, 40,1% das casas brasileiras não tinham nenhum tipo de coleta de esgoto no ano passado, lançando seus dejetos, muitas vezes, em rios, lagoas e no mar, agravando problemas de poluição ambiental e facilitando a disseminação de doenças, como gastroenterites e infecções.
"As Regiões Norte e Nordeste tiveram as menores parcelas de domicílios atendidos por esse serviço, com 13,5% e 3,8%, respectivamente, do total de domicílios da região, equivalentes a, respectivamente, 555 mil e 5,2 milhões de domicílios", afirma o texto da pesquisa.
O presidente do IBGE, Eduardo Nunes, lembrou que saneamento exige investimento prévio muito grande, com tempo longo de maturação. "O que a gente observa é que os investimentos que já foram feitos, em parte, ainda não deram resultado" disse. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, tem R$ 40 bilhões alocados para o setor, mas muitas obras atrasaram.
A lentidão com que o indicador saneamento básico tem evoluído chama a atenção dos pesquisadores do IBGE. Em 2001, na série harmonizada (ou seja, que não inclui a zona rural da Região Norte, que só começou a ser pesquisada a partir de 2004 e foi excluída dessa sequência, para permitir uma comparação correta), 54,6%% dos domicílios tinham ligação com rede de esgoto ou fossa séptica ligada a ela. O número passou a 56% em 2002; 56,6% em 2003; 57,2% em 2004; 57,4% em 2005; 58,1% em 2006; 59,8% em 2007; e 60% em 2008 e 2009.
Foram necessários nove anos para que, em termos proporcionais, a ligação de domicílios à rede avançasse 5,4 pontos, em uma média de 0,6 ponto por ano.
Outros serviços. Em contraste, o abastecimento de água está mais de 20 pontos porcentuais acima da ligação à rede de esgoto. Em 2009, 84,4% (49,5 milhões) dos domicílios brasileiros tinham água encanada, o que representou um aumento de 0,5% sobre 2008, com a incorporação de 1,2 milhão de unidades.
A pesquisa destaca a evolução da Região Centro-Oeste, onde houve crescimento de 1,7 ponto porcentual no número de domicílios atendidos, em relação a 2008 - mais 151 mil, chegando a 3,6 milhões de unidades no total. O Nordeste ficou nos mesmos 78%.
Também cresceu de 2008 para 2009 a proporção de domicílios atendidos por coleta de lixo. Eram 88,6% das casas no ano passado, crescimento de 0,7%, chegando a 51,9 milhões. Sudeste, com 536 mil, e Nordeste, com 377 mil, deram as maiores contribuições para essa expansão.
Com quase 99% de ligações (98,9%), a iluminação elétrica foi o serviço público que chegou mais perto da universalização no ano passado, com aumento de 0,3% de 2008 para 2009.
Em 2004, em todo o País, o porcentual de domicílios atendidos pelo serviço era de 96,8%. No Nordeste, a expansão foi acima da média nacional, passando de 97% para 97,6%.
Celulares. Na telefonia foi registrado de 2008 a 2009 aumento de 2,1 milhões no número de domicílios que possuíam algum tipo de telefone, e de 2,5 milhões nos possuidores de aparelho celular. De 2004 a 2009, a proporção de endereços com telefone passou de 65,2% para 84,3%, e a de domicílios apenas com celular foi de 16,5% para 41,2%.
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100909/not_imp607089,0.php
Acesso a eletrodomésticos é maior do que a saneamento
No ano passado, 72% dos domicílios brasileiros tinham DVD, mas só 59,1% eram ligados à rede de esgoto
Wilson Tosta
Em 2009, havia mais domicílios brasileiros com aparelho de DVD do que com ligação à rede de esgoto, segundo números coletados pela Pnad.
Enquanto apenas 59,1% dos domicílios despejavam seus dejetos em algum sistema de saneamento básico, 72% das residências tinham DVD, fenômeno que retratava, além das contradições do País, o contínuo aumento no acesso a bens de consumo duráveis pela população - inclusive a mais pobre - nos últimos anos.
Só no ano passado, o crescimento no número de lares com o aparelho foi de 2,6 pontos porcentuais, diz a pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De 2008 para 2009, também subiu a proporção de domicílios com máquina de lavar roupa (de 41,5% para 44,3%), com geladeira (de 92,1% para 93,4%) e televisão (de 95,1% para 95,7%). O porcentual de endereços com automóvel foi de 37,4%, (mais 1,1ponto sobre 2008) e dos com motocicleta foi de 16,2% (crescimento anual de 1,5 ponto.
Na Região Norte, a proporção de domicílios com motocicleta foi maior do que a com automóvel. Nas demais, a situação era inversa. Curiosamente, reduziu-se, de um ano para o outro, o porcentual de domicílios que tinham aparelho de rádio (de 88,9% para 87,9%) e freezer (de 16% para 15,2%). Cresceu a proporção de domicílios com microcomputador (de 31,2% para 34,7%) e com micros ligados à internet (de 23,8% para 27,4%).
O crescimento no número de computadores domésticos ajudou a inflar outro número: o de brasileiros que acessaram a web. No ano passado, 67,9 milhões de habitantes do País declararam ter acessado a rede, um crescimento de 21,5% sobre o ano anterior - o equivalente a 12 milhões de novos usuários, que se somaram aos 55,9 milhões em 2008. Apenas quatro anos antes, em 2005, os internautas brasileiros eram 31,9 milhões. Com os números de 2009, seu crescimento no período foi de 112,9%.
Todos os grupos etários apresentaram crescimento nos acessos à internet de 2005 a 2009. A faixa que mais cresceu foi a de 50 anos ou mais: 148,3%. Apesar disso, apenas 15,2% do grupo utilizou a internet. Em termos regionais, os acessos cresceram mais no Norte (213,9%) e no Nordeste (171,2%).
Para o presidente do IBGE, Eduardo Nunes, a comparação entre o avanço da internet com a estagnação do saneamento não é adequada. "Montar uma rede de saneamento é diferente de montar uma rede de internet", destacou. "De mais a mais, a rede de internet é nascente. Então, é muito fácil crescer muito na fase inicial, porque estou falando em crescer de 20 para 30%."
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100909/not_imp607090,0.php
OESP, 09/09/2010, Especial, p. H5
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