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'Recursos para investir na Amazônia existem', diz fundador da Natura

OESP, Economia, p. B9
10 de dez de 2020

'Recursos para investir na Amazônia existem', diz fundador da Natura
Guilherme Leal disse que é preciso haver uma visão consistente de desenvolvimento e preservação para que o dinheiro chegue ao País

Fernanda Guimarães e Talita Nascimento, O Estado de S.Paulo
10 de dezembro de 2020

No ano em que a Amazônia virou notícia em todo o mundo, com o aumento do desmatamento e enorme pressão de investidores estrangeiros, o setor privado decidiu se reunir em busca de soluções para o assunto que passou a ser encarado como uma questão econômica.

Ontem, em conferência organizada pelo Itaú Unibanco para tratar da maior floresta tropical do mundo, o copresidente do conselho de administração da Natura, Guilherme Leal, afirmou que os recursos para investir na Amazônia existem, mas que é preciso haver uma visão consistente de desenvolvimento e preservação para que o dinheiro chegue ao País. "Não temos de ter xenofobia. Temos de ter consciência da nossa soberania, mas soberania exige responsabilidade", afirmou o fundador da companhia, uma das pioneiras em negócios a partir da biodiversidade da floresta.

Leal reforçou ainda a importância de se desenvolver lideranças e empresas locais. Segundo ele, é preciso trazer para a mesa os habitantes da região, que são cerca de 25 milhões de pessoas. "Não existirá conservação se não olharmos para as questões sociais e econômicas."

O fundador da Natura foi um entre os mais de 70 palestrantes do evento organizado pelo banco, que teve duração de três dias e tinha como objetivo tratar dos desafios e buscar soluções conjuntas para a região, além de arrecadar recursos para projetos voltados ao desenvolvimento e à preservação da Amazônia. "A ideia era compartilhar nossa trajetória e ter mais empresas e mais pessoas pela Amazônia. Conseguimos passar pelos assuntos sociais, ambientais econômicos. Falar de desenvolvimento econômico é importante para manter a floresta em pé", comenta a superintendente de Relações Institucionais, Sustentabilidade e Negócios Inclusivos do Itaú Unibanco, Luciana Nicola.

O maior banco privado da América Latina registrou na plataforma do evento 75 mil acessos e 19 mil cadastros foram preenchidos. O Itaú não abriu o valor, mas com as doações feitas ao longo dos últimos dias será possível plantar 400 mil árvores na Bacia do Rio Xingu, projeto em parceria com o Instituto Socioambiental com parceiros locais, como a Rede de Sementes do Xingu. Agora, o planejamento é de que o evento seja anual.

"Queremos deixar um legado desse exemplo de três competidores tão ferrenhos e que puderam se unir para cuidar da região da Amazônia, que a sociedade pode se unir para cuidar de um dos nossos maiores patrimônios", disse o presidente do Itaú, Cândido Bracher, na abertura do evento, na segunda-feira, que também teve a presença de Sergio Rial, presidente do Santander, e Octavio de Lazari, presidente do Bradesco. Os três bancos se uniram neste ano para buscar medidas de desenvolvimento da região.

A mobilização do setor privado, algo que se tornou realidade após a crise envolvendo a floresta, evidenciou também a necessidade de que o governo precisa agir. "Precisamos aplicar a lei para evitar o desmatamento ilegal. Não é mudar a lei, é aplicar a lei que já existe", afirmou, no evento, o presidente da Suzano Walter Schalka, um dos nomes mais vocais desde o início da crise da Amazônia.

Dentre os investidores estrangeiros, um dos nomes mais expoentes da questão climática, Larry Fink, que preside a BlackRock, gestora norte-americana com cerca de US$ 7 trilhões sob gestão, disse que o Brasil poderá, inclusive, receber mais recursos se for mais sustentável./ COLABORARAM, ALINE BRONZATI, ANDRÉ ITALO ROCHA E WAGNER GOMES

OESP, 10/12/2020, Economia, p. B9

https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,recursos-para-investir-n…

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