Radiobrás
Autor: Luciana Vasconcelos
12 de Set de 2007
Brasília - O presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio Meira, avisou que no ano que vem o orçamento para fundação será 60% maior. Ele fez o comentário respondendo a pedido de mais investimentos do governo federal na feito por lideranças da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima.
"Dentro desse orçamento, os recursos voltados a programas de etnodesenvolvimento terão também um aumento significativo. Esperamos aumentar o investimento", disse o presidente da Funai. O pedido dos índios foi feito hoje (12) durante assinatura de carta-compromisso, no Palácio do Planalto, em Brasília.
"Não adianta ter terra demarcada se não tem nada produzido", disse o representante da Sociedade de Defesa dos Indígenas Unidos do Norte de Roraima (Sodiur) Lauro Joaquim Barbosa.
O coordenador-geral do Conselho Indigenista de Roraima (CIR), Dionito José de Souza, contou que os índios estão estudando e buscando melhorias na região. "Queremos mais investimentos", afirmou. "A gente teve que buscar o pensamento de empresário porque a gente foi chamado de preguiçosos, incapazes. Então nós queremos mostrar isso. Hoje somos pequenos fazendeiros, estamos estudando na academia [universidade]. Então, tudo isso representa uma disposição dos povos indígenas, uma preparação", observou.
O presidente da Funai rebateu as críticas de que índio é só quem "anda pelado na mata, caçando e pescando". Segundo ele, essa é uma visão ultrapassada. "Não é porque ele faz universidade, vira advogado ou médico que ele deixa de ser índio. Pelo contrário, a sua afirmação étnica é algo que ganha um contorno mais importante quando ele pode se afirmar sempre na sua cidadania", ressaltou.
A lei determina que os 1,7 milhão de hectares da Raposa Serra do Sol são de direito dos 18 mil indígenas que vivem na região. O decreto de homologação da área foi assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em maio de 2005.
De acordo com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), o processo de reassentamento dos não-índios da reserva vem sendo realizado desde o ano passado. Para atendê-los, o Incra destinou 31,3 mil hectares de terras da União e 188 famílias estão em processo de reassentamento, segundo informou o instituto.
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.