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Rebelo recua em duas propostas do Código

OESP, Vida, p. A15
06 de Jul de 2010

Rebelo recua em duas propostas do Código
Itens abriam caminho para aumento do desmatamento no País; ainda sem consenso, mudanças devem ser votadas hoje em comissão da Câmara

Marta Salomon / Brasília

Sem sinal de consenso entre ambientalistas e ruralistas, a proposta de reforma do Código Florestal deve ser votada hoje em comissão especial da Câmara dos Deputados. O relator, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), recuou em propostas que abriam caminho para o aumento do desmatamento, mas não conseguiu vencer resistências.
Entre as mudanças apresentadas ontem, Rebelo tirou dos Estados o poder de reduzir a área de proteção permanente às margens dos rios. O limite mínimo de manutenção ou recuperação da vegetação nativa, que podia ser reduzido pelos Estados até 7,5 metros nos rios mais estreitos, voltou a 15 metros. Isso ainda representa a metade do atual limite mínimo de proteção previsto na legislação.
A nova proposta também impede o corte da vegetação nativa nas pequenas propriedades que ainda tiverem o porcentual correspondente à reserva legal. O relatório original, apresentado por Rebelo no início de junho, libera pouco mais de 90% das propriedades rurais do País (com até 4 módulos fiscais) da exigência de manterem a vegetação nativa em pelo menos 20% dos imóveis. A diferença agora é que os proprietários rurais ficarão impedidos de desmatar o que foi preservado até aqui e os donos de imóveis médios e grandes terão de cumprir integralmente o porcentual de reserva legal.
As mudanças foram apresentadas de forma a conter críticas à reforma do Código Florestal, sobretudo dos ambientalistas. Na avaliação do Ministério do Meio Ambiente, a nova versão é um pouco melhor que a anterior, mas não encerra a discussão.
Um dos pontos atacados pelo MMA é a possibilidade de serem aceitos desmatamentos irregulares feitos até julho de 2008, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez a primeira tentativa de punir os desmatadores.
Essa punição está adiada pelo menos até 2011. Se a proposta em discussão na Câmara for aprovada, as punições não ocorrerão antes de 2016 e serão suspensas se o proprietário rural se ajustar às novas regras de regularização ambiental.
A nova versão apresentada por Rebelo também inclui dispositivos que agradam os ruralistas, como o que avaliza o porcentual de reserva legal vigente na época da compra ou posse das terras. Na Amazônia, por exemplo, a reserva legal aumentou de 50% para 80% nas áreas de floresta apenas em 2001. Quem desmatou antes dessa data, por exemplo, fica dispensado de recompor ou compensar o atual porcentual de reserva legal, mantido na reforma.
O debate na Câmara tem como principal tema a recuperação de cerca de 870 mil quilômetros quadrados de áreas de proteção permanente e reserva legal já desmatados no País.

OESP, 06/07/2010, Vida, p. A15

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100706/not_imp576873,0.php

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