Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
30 de Dez de 2004
A direção estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) se reuniu na manhã de ontem para discutir e aprovar a elaboração de um documento que foi enviado à executiva nacional do partido e ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, pedindo a homologação imediata da reserva indígena Raposa Serra do Sol em área contínua. Conforme a cúpula petista, a previsão é que a homologação deverá acontecer já na segunda semana de janeiro - conforme anunciou o presidente do Incra, Rolf Hackbart.
Os petistas roraimenses defendem que a homologação deve ser feita com a retirada dos arrozeiros hoje estabelecidos na área demarcada. O documento encaminhado ao presidente Lula também solicita que junto com a homologação contínua seja solucionada a questão fundiária local, repassando as terras hoje em poder da União para o Estado.
Nesse pedido de homologação urgente feito pelo PT local consta ainda a reivindicação de que todas as indenizações que tiverem que ser feitas, assim como o reassentamento das pessoas retiradas da região, aconteçam da forma mais justa e igualitária possível.
Um outro pedido constante no documento encaminhado pelo PT ao presidente da República é que paralelo a esse processo de homologação seja constituído um fórum reunindo todos os segmentos da sociedade roraimense - índios, rizicultores, pecuaristas, e representantes dos poderes públicos constituídos - para discutir uma agenda positiva para Roraima.
"O objetivo desse fórum é buscar meios de garantir uma melhor qualidade de vida em especial para os indígenas, que na sua maioria vivem em condições subumanas", disse o secretário de Comunicação do PT, Pablo Sérgio Bezerra.
O dirigente petista e deputado estadual Titonho Beserra disse estar consciente que a homologação da Raposa Serra do Sol vai contrariar muitos interesses, mas afirmou que é preciso que a partir do momento que o presidente Lula assine o ato homologatório, a decisão seja aceita por todos e que as forças políticas e produtivas do Estado se dêem às mãos para buscar o desenvolvimento econômico de Roraima nos próximos anos.
"Qualquer que seja a decisão governamental, todos vão ter que se ajustar a ela. Mesmo aqueles que se sintam alijados em seus direitos têm que ser capazes de dialogar e construir um futuro melhor para o Estado", reforçou Pablo Sérgio.
Os dirigentes do partido no Estado vão iniciar uma série de visitas aos representantes de todos os segmentos envolvidos direta ou indiretamente no assunto, como as entidades indígenas, missionários da Missão Consolata, Associação dos Arrozeiros, organização que congregam agropecuaristas, empresários e Governo do Estado, para iniciar a discussão em torno de uma agenda positiva para o Estado. "Vamos fazer isso porque a decisão será institucional e, uma vez tomada, terá que ser aceita por todos", disse Titonho Bezerra.
Ao falar sobre a decisão de encaminhar o documento pedindo a imediata homologação, Pablo Sérgio disse que esta é uma bandeira histórica do PT roraimense. Para ele, é necessário colocar um ponto final nessa situação de incerteza que Roraima tem vivido nos últimos anos para que se possa vislumbrar um futuro melhor para a sociedade local.
"Nos últimos anos Roraima tem sido penalizado com uma série de fatos negativos, como o escândalo dos gafanhotos e a cassação do governador Flamarion Portela, só para citar os fatos mais recentes, assim como os constantes conflitos decorrentes da questão indígena", comentou.
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.