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Raiva transmitida por morcegos mata 15 no Para

O Globo, Ciencia e Vida, p.44
14 de Abr de 2004

RAIVA TRANSMITIDA POR MORCEGOS MATA 15 NO PARÁ
Surto da doença pode ser o pior do tipo registrado no mundo. Vampiros já morderam mais de 600 pessoasBELÉM. Quinze pessoas já morreram e outras três estão internadas em Belém vítimas de raiva humana transmitida por morcegos hematófagos, os chamados vampiros, num surto considerado alarmante por especialistas. Os casos foram registrados no município de Portel, na Ilha de Marajó, onde mais de 600 pessoas já foram mordidas por esses animais. A principal causa do número excessivo de ataques, segundo o Ibama, é o desmatamento desenfreado que vem ocorrendo no município, um dos principais exportadores de madeira do Pará. A rapidez com que os casos se alastraram fez com que a Secretaria de Saúde do Pará iniciasse uma operação emergencial de vacinação em Portel e outros municípios ribeirinhos vizinhos. Mais de três mil doses da vacina anti-rábica foram enviadas a Portel. O Ibama, por sua vez, anunciou um programa de recomposição florestal em áreas degradadas.Além do desmatamento, a sensível redução das populações de animais silvestres nas matas restantes contribui para o agravamento do problema. Sem outros animais para atacar, os vampiros buscam em seres humanos o sangue de que necessitam. A ausência de sistemas de saneamento, com tratamento de água e esgoto, e de eletricidade também contribui para a disseminação da raiva e de outras doenças fatais.Seis pessoas de uma mesma família morreram da doençaAs mortes começaram a ocorrer no dia 9 de março, mas o secretário de Saúde do Pará, Fernando Dourado, diz que sua secretaria só foi informada no dia 19 de março, quando Maílson Moura de Souza, de 11 anos, morreu no hospital Barros Barreto, em Belém. O caso do menino foi o que mais chamou a atenção das autoridades sanitárias. Ele é filho do agricultor Manoel da Silva Souza, que perdeu a mulher, outros dois filhos e dois primos vítimas de raiva transmitida por mordidas de morcego. — Desde que me entendo por gente as pessoas são mordidas, mas nunca aconteceu de ninguém morrer — diz o agricultor. — Meu filho Maílson foi mordido no pé. Nós lavamos com sabão, mas eu não sabia que tinha que vacinar. O alto número de mortes por raiva humana transmitida por morcegos em tão pouco tempo é inédito no mundo, segundo o coordenador do Núcleo Estadual de Epidemiologia da Secretaria de Saúde do Pará, Amiraldo Pinheiro. Até então, o recorde havia sido registrado no município de Apiacás, no Mato Grosso, em 1997, quando sete pessoas morreram

Saiba mais sobre o mal
CONSIDERADA UM DOS MAIORES ESPECIALISTAS EM RAIVA TRANSMITIDA POR MORCEGOS HEMATÓFAGOS, A VETERINÁRIA PHYLLIS ROMIJN CLASSIFICOU A SITUAÇÃO NO PARÁ DE ALARMANTE.
— O número de casos lá é muito alto, alarmante — disse a especialista. — Se houvesse um único caso em humanos já seria alarmante porque aponta para uma falha da Vigilância Sanitária que não é admissível.Segundo Phyllis, deveria haver um controle da população de morcegos hematófagos, uma profilaxia constante, para que a doença não chegasse a humanos.A doença é causada pelo vírus rábico, transmitido por meio da mordida de um animal silvestre portador do micróbio. Ao atingir as células do sistema nervoso central, provoca alterações graves que levam à morte. Uma vez que os sintomas se manifestem, não há cura. Mas uma dose da vacina logo após a mordida pode impedir o surgimento da doença.

O Globo. 14/04/2004, p. 44

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