VOLTAR

Quilombolas pedem ajuda a Dilma na Bahia

O Globo, O País, p. 4
03 de Jan de 2012

Quilombolas pedem ajuda a Dilma na Bahia
Em protesto, acusam Marinha de forçar desocupação de área

SALVADOR. Integrantes da comunidade quilombola Rio dos Macacos, às margens da Baía de Todos os Santos, aproveitaram ontem a presença da presidente Dilma Rousseff na Base Naval de Aratu, Região Metropolitana de Salvador, para denunciar que sofrem pressão da Marinha para deixarem a área que habitam, localizada dentro da Vila Militar.
Os 50 quilombolas protestaram no píer marítimo de São Thomé de Paripe com faixas cobrando "solução" para o conflito de terras que se arrasta desde a década de 1970, quando foi criada a base. Uma das frases acusava: "Marinha quer expulsar comunidade Rio dos Macacos". Em outras, pediam socorro: "Vai permitir isso, presidente?" e "Dilma tem que nos ajudar". O grupo levou um bumba meu boi para o protesto, próximo ao muro entre a Praia de Inema, privativa da Base de Aratu, e a de São Thomé de Paripe.
Os manifestantes alegam que ocupam a área desde a abolição da escravatura, há mais de 100 anos. A comunidade é formada por 500 famílias, das quais 43 vivem na área onde estariam acontecendo as ameaças por parte de fuzileiros armados, forçando a desocupação.
- À noite, eles cercam nossas casas armados e encapuzados. Sabemos que são eles por causa da farda. A gente não dorme, cochila, porque temos medo de eles invadirem nossas casas e nos matarem - conta a quilombola Rosimeire dos Santos.
A Marinha nega a pressão ou qualquer tentativa de controle de acesso por parte de militares em relação à comunidade quilombola. Segundo a assessoria de imprensa da Marinha, na Base Naval de Aratu, a comunidade está localizada em um terreno que pertence à União, e a Justiça Federal determinou que os quilombolas deixem o local até março deste ano.

O Globo, 03/01/2012, O País, p. 4

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.