Agência Brasil
Autor: Edla Lula
06 de Out de 2007
6 de Outubro de 2007 - 18h03 - Última modificação em 6 de Outubro de 2007 - 18h03
Quilombolas do Jalapão expõem artesanato de capim dourado em feira de agricultura
Edla Lula
Repórter da Agência Brasil
Brasília - A expositora Darlene Francisca de Sousa, do povoado do Prata, em Jalapão/TO, fala à Radiobrás na Feira Nacional de Agricultura Familiar, no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade
Brasília - A região do Jalapão, no Tocantins, atrai turistas do Brasil e do mundo em busca de aventuras em suas dunas. Mas de lá também vem uma experiência de agricultura familiar. O artesanato das comunidades quilombolas que vivem na região. Nessas comunidades, que vivem da agricultura familiar, os maridos cuidam da roça e as mulheres fazem arte.
"Também tem dia que os dois fazem as duas coisas", diz Darlene Francisca de Souza. Ela conta que a matéria prima das bolsas, cintos, potes, quadros e o que mais a imaginação permitir, é o capim dourado, planta só existente naquela região. Quando um capim se trança a outros para formar o objeto, o resultado tem um brilho que dá nome de metal precioso ao vegetal.
Na pequena tenda instalada na Feira Nacional de Agricultura Familiar e Reforma Agrária, em Brasília, os preços das peças variam de R$ 5 a R$ 300, preço da mais cara bolsa. O artesanato, adquirido pelos turistas que vão ao Jalapão, é hoje uma importante fonte de renda das famílias. Segundo a presidente da Associação de Artesãs de Capim Dourado, Simone Aires, os quilombolas conseguem hoje um faturamento de R$ 10 mil por mês, que depois de distribuídos rendem R$ 200 por associado.
"Graças às máquinas que compramos e mudanças que fizemos em nossa roça, hoje conseguimos um dinheirinho bom no fim do ano", diz Darlene. Ela conta que hoje a renda mensal da familia, que inclui o marido e mais quatro filhos, chega a R$ 600,00. Desse total, R$ 200 correspondem à venda dos produtos que produzem: laranja, mandioca, milho, "um queijinho", "uma rapadurinha". O restante, vem do artesanato. "Quando a gente vai em feira ou vem muito turista, dá para fazer até uns R$ 700".
Mas não foi sempre assim. Há oito anos, antes de a comunidade se organizar em cooperativa, "a vida era muito sofrida". De maneira organizada, Darlene e as 23 famílias que participam da cooperativa, conseguiram fazer o seu produto chegar ao consumidor final sem passar por atravessadores.
"Antes, a gente era obrigada a viajar no mínimo 200 quilômetros no lombo do jumento se quisesse levar o produto direto na feira. Hoje, o carro vem pegar aqui em na minha roça", conta, referindo-se ao pessoal do programa Compra Direta, ligado ao Fome Zero, que vai até a sua pequena propriedade para comprar o alimento e redirecioná-lo para feiras ou distribuí-lo a pessoas com déficits nutricionais. "O plano agora é aumentar a plantação", diz.
No ano passado, ela investiu R$ 8 mil que conseguiu no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) na ampliação da roça e na compra de alguns gados. Espera, ainda este ano fornecer maior quantidade e mais tipos de produtos, incluindo leite e queijo, que não eram o forte da família.
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