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Questões indígenas podem avançar com visita de relator da ONU, avalia entidade

Agência Brasil - www.agenciabrasil.gov.br
Autor: Amanda Mota
18 de Ago de 2008

Manaus - A permanência do relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Direitos Humanos e Liberdades Fundamentais dos Povos Indígenas, James Anaya, no Brasil é um fato positivo e importante que pode contribuir com avanços em relação a reivindicações dos indígenas que vivem no país. A avaliação é do dirigente da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Marcos Apurinã.

"A visita dele vai contribuir para que a ONU tenha uma visão melhor da vida dos indígenas brasileiros. Depois disso, eles poderão conversar com o governo federal e negociar melhorias de um modo geral", declarou.

"A vinda do representante da ONU ao país era esperada há muito tempo. Estamos contentes que ele esteja aqui [no Brasil] e tenha dedicado sua agenda para dialogar com a Coiab, conhecer o município de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas [onde quase 100% da população é indígena] e ainda ir até a reserva Raposa Serra do Sol", acrescentou.

No último sábado (16), James Anaya participou de reunião com lideranças indígenas da Amazônia na sede da Coiab. Durante o encontro, ele conversou com organizações e povos indígenas sobre diversos assuntos.

A prioridade dos líderes foi dada a denúncias sobre violações dos direitos ocorridos no Brasil. Questões relacionadas à violência, uso inadequado de imagem, ausência de políticas públicas específicas aos indígenas e ainda aos problemas enfrentados pelos povos que vivem na Raposa Serra do Sol (RR) e no Vale do Javari (AM) também estiveram em pauta.

Em nota, a assessoria de comunicação da Coiab destacou que a visita do relator ocorre em um momento crucial para os povos indígenas no Brasil de crescente "tendência de discriminação, preconceito e estigmatização dessas populações por parte dos setores oligárquicos, políticos e latifundiários do país".

Segundo o texto, a divulgação de informações distorcidas tem causado danos aos povos indígenas que são acusados de "atentado contra a soberania nacional" e de "ocupação demasiada de terras".

"Os fatos comprovam que, historicamente, os povos indígenas constituíram-se defensores das fronteiras nacionais, permanecendo como importantes atores de proteção das fronteiras e recursos naturais brasileiros, contra a ação de caçadores, mineradores e madeireiros", afirma a instituição.

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