Agência Kaxiana de Notícias
Autor: César Fonseca (*)
02 de Jun de 2008
O pensamento neoliberal, determinado pelo Consenso de Washington, a partir dos anos de 1980, que norteou os governos da Nova República, relativamente, à questão ambiental e indigenista, envolvendo a Amazônia, entrou em colapso total e passou a ser contestado fortemente dentro dos quartéis e do Clube Militar nas últimas semanas. O conteúdo ideológico sobe à cena e tende a ganhar conteúdo radical, com provável lançamento de campanha popular cujo slogan deverá ser "A Amazônia é nossa". Será?
Os militares entendem que, depois que deixaram o poder em 1985, os governos neorepublicanos substitutos desmoralizaram a Funai e deixou a entidade subordinar-se aos interesses externos, comandados pelas ONGs, ancorados no dinheiro dos governos dos países capitalistas desenvolvidos.
O avanço de tais interesses tenta materializar o discurso da ONU, amplamente, defendido pelos Estados Unidos, Europa e Japão. A ideologia neoliberal ditada pelo Consenso de Washington considera que a Amazônia é um assunto global, não meramente nacional. Os militares se arrepiam.
Ao financiarem as ONGs, lançando editais públicos que estimulam sua criação, mediante subsídios governamentais, os governos europeus, japonês e americano, segundo os militares nacionalistas em campanha pela "A Amazônia é nossa", disseminam seus interesses anti-nacionais, no ambiente de crescente divisão político-estratégica em curso na Amazônia, sob discussão global.
O veículo disfarçado do interesse externo, destacam os nacionalistas, é a defesa do conceito de nações indígenas na Amazônia. Por trás dessa retórica, dizem, cresceu outro conceito, o da delimitação de terra contínua, ilimitada pela ocupação indígena.
Esse conceito ganhou força diante do esvaziamento político da Funai, de acordo com os interesses emanados do Consenso de Washington, seguidos pelos neoliberais neorepublicanos. Deixaram para trás o intervencionismo estatal na Funai, para evitar o contágio dos índios com os interesses externos, por cima dos interesses do estado nacional.
Os governos neorepublicanos, na avaliação dos quartéis, nesse momento, romperam a barreira da dependência ao esvaziarem politicamente a Fundação Nacional do Índio, deixando-a ao sabor dos convênios que viriam a ser firmados com ONGs nacionais e internacionais, irrigadas pelo dinheiro governamental americano, europeu e japonês, sob desconfiança de patrocinarem, também, larga corrupção.
Tais convênios estão sendo, agora, desnudados pelos governadores, alvos principais dos ataques das ONGs, demonstrando evidências de corrupção na relação ONGs-FUNAI, sob complacência do governo Lula.
(*) Jornalista
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