O Globo, Rio, p. 24
Autor: TEIXEIRA, Izabella
11 de Mai de 2013
'Queremos solução imediata'
Entrevista: Izabella Teixeira
Catarina Alencastro
BRASÍLIA
O GLOBO: Quanto tempo levará para a desocupação do Jardim Botânico?
Saberemos isso quando terminar a atualização e analisar o cadastro. Precisamos saber em que situação a pessoa se fixou ali, o perfil de renda. Tenho que avaliar as várias situações para que o governo eleja as várias alternativas. Isso será liderado pela Secretaria de Patrimônio da União (SPU).
E o processo de desocupação?
Tudo será feito com muita calma. Nós queremos uma solução imediata, mas não é falar: joga essas pessoas ali fora, vira as costas e deixa as pessoas sem alternativas. Porque parte também disso foi pela inércia do poder público. Quem mandou essas pessoas ficarem ali foram os próprios diretores do Jardim Botânico, no passado. Não tinham essa competência e fizeram. O Clube Caxinguelê é um exemplo. Foi construído por diretores do Jardim. Há incoerências que precisamos cuidar. Esse é o objetivo do governo, quando apresentamos a identificação do perímetro do parque. Obviamente, quando o governo institui essa estratégia de atualizar o cadastro foi porque queria cuidar de cada família. No limite do que a lei permite. Nossa estimativa é de 520 famílias.
Como foram definidos os critérios de demarcação da área?
O grupo de trabalho se debruçou em documentos técnicos históricos. O primeiro relatório do perímetro data de 1969, com um parecer do Burle Marx, depois, em 1973, tem uma indicação e, em 1985, tem o Plano Diretor do Jardim, que traz todos os estudos sistematizados, inclusive com a identificação de famílias que invadiram. Fizemos um estudo técnico com a SPU, o Iphan e o Ministério. Sobrepusemos a imagens de satélites para saber o que é o quê. Nós não desenhamos o perímetro. Nós identificamos o perímetro.
Os que se encontram dentro do perímetro são todos invasores?
Cada caso é um caso. Um ex-funcionário, que está lá há 50 anos, não é um invasor. Foi dado a ele o direito de ficar. É diferente das pessoas que estão na área de risco e, eventualmente, invadiram, ali no Grotão.
O governo sofreu pressões para demarcar a área do parque?
Nem o deputado Edson Santos, nem o ex-presidente Liszt Vieira participaram da definição do perímetro. Foi o governo, por meio do Ministério do Planejamento, MMA, AGU e Iphan. Acho injustiça falar que o deputado tentou tirar proveito. É inverdade. E também é uma bobagem dizer que não falo com o Liszt. É meu amigo.
O Globo, 11/05/2013, Rio, p. 24
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