CB, Você e seu futuro, p. 13
27 de Nov de 2003
Quem quiser que bote banca
Alguns ramos pouco conhecidos do Direito, como o ambiental, digital, regulatório e tributário, são tidos como promissores para advogados
Daniel Alves
Fernando Mathias: antes de se firmar na área ambiental, advogado trabalhou dois anos como voluntário
Em vez de calhamaços de Direito Civil, Penal ou Trabalhista, o desafio de atuar em áreas que sequer têm legislação consolidada. A empreitada chama cada vez mais a atenção de graduados em Direito. Gente que deixa de lado a pompa de nichos tradicionais da profissão para enveredar pelas implicações legais de questões ambientais, digitais, agrárias, internacionais. O ar jovial das especialidades tem peso de ouro no mercado de trabalho.
''As relações estão cada vez mais complexas. Faltam profissionais com uma formação mais plural, diferente da oferecida há décadas'', diz Sylvana Rocha, gerente educacional do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) de São Paulo. Recentes, esses campos do Direito contam com poucos cursos de formação. O que faz o quesito experiência ter valor especial entre os empregadores.
''A militância na área pode valer muito mais do que um certificado'', alerta Alexandre Bernardino Costa, coordenador de Especialização, Educação Continuada e Extensão Comunitária da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília. Há sete anos trabalhando na área socioambiental, Fernando Mathias Baptista conhece bem a força das relações informais nas novas vertentes do Direito.
O paulista chegou a estudar Direitos Coletivos no último ano da faculdade, mas teve que trabalhar como voluntário por dois anos até conseguir um emprego. ''Quem quer trabalhar em organizações não-governamentais acaba enfrentando a falta de orçamento''', diz o advogado do Instituto Socioambiental. ''No terceiro setor, há necessidade de absorção de pessoal, mas ela é mais demorada, diferentemente do que acontece nos escritórios particulares.''
Segundo Fernando, a procura por consultorias e o aumento no número de ações ambientais têm feito com que grandes empresas de advocacia montem equipes especializadas. Os salários não ficam para trás do que é pago pelas alas tradicionais do Direito. ''Nas ONGs, o salário médio é de R$ 2 mil. No setor privado, os advogados ambientais chegam a ganhar quatro vez mais'', compara.
Para os que não se empolgam com a legislação verde, Alexandre Bernardino aponta outros ramos do Direito também promissores na capital do concreto. ''Brasília é cheia de peculiaridades que exigem advogados com formações diferenciadas'', diz o professor da UnB. ''O Direito Urbanístico, pelo fato de a cidade ser tombada; o Internacional, por conta das embaixadas; e o Regulatório, devido às agências reguladoras, são exemplos de áreas que tendem a crescer.''
Com teorias mais consolidadas, mas com um perfil que foge da formação convencional, o Direito Tributário também é tido como uma especialização promissora. E as melhores oportunidades de emprego não vêm apenas do setor privado. Segundo Osvaldo Othon Filho, coordenador de uma pós-graduação oferecida pelo UniCeub, muitas das ações que chegam aos tribunais superiores tratam de questões tributárias. No setor privado, aponta Osvaldo, há espaço tanto em consultoria quanto na defesa de processos.
''E o retorno costuma ser bastante rentável'', ressalta. Segundo o tributarista Hélio Cézar Rodrigues, o advogado que trabalha com pequenas causas recebe mensalmente de R$ 5 mil a R$ 10 mil. Quando começa a atender grandes contribuintes, pode tirar de R$ 100 mil a R$ 500 mil. ''Para trabalhar na área é preciso conhecer a fundo a contabilidade'', alerta Hélio. ''A condição assusta muitos advogados, que costumam não gostar de números.''
Sua chance
ÁREAS PROMISSORAS
Direito Ambiental, dos Povos, Internacional, Regulatório, Urbanístico e Tributário
ESPECIALIZAÇÕES
UnB: Direito dos Conflitos Armados. Informações 307-2347
UniCeub: Direito das Relações Internacionais e Ambiental. Informações: 274-4877
Universidade Católica. Direito Tributário. Informações: 340-5550
Aeudf: Direito Tributário. Informações: 321-2265
Palavra de especialista
As 10 mais na visão de Sylvana Rocha, gerente educacional do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) de São Paulo
Administradores de empresa
Economistas
Contadores
Engenheiros
Informática
Advogados tributaristas e ambientais
Publicitários
Profissionais do Turismo
Educação
Profissionais de Educação Física
CB, 27/11/2003, Você e seu futuro, p. 13
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.