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10 de Set de 2010
Responsável, desde 1999, pela assistência básica à saúde de aproximadamente 590 mil índios de 210 diferentes etnias em todo o País, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) está comemorando os resultados de um balanço realizado entre 2007 e 2009, que aponta a redução de 10% da mortalidade infantil indígena nesse período. Em relação ao início do trabalho, há 10 anos, a queda é ainda maior: 43,8%.
Em 2000, a taxa que era de 74,6 crianças mortas para cada mil nascidas vivas diminuiu, no ano passado, para 41,9/1000, deixando o Brasil em um patamar de mortalidade infantil indígena no primeiro ano de vida dentro dos padrões médios considerados pela Organização Mundial de Saúde, ou seja, abaixo de 50 óbitos.
A redução no número de óbitos é uma consequência direta da melhoria nos indicadores de condições de vida, acesso e qualidade da atenção materna e infantil da população, aliada a um conjunto de ações em prol da saúde executadas pela Funasa. E um dos principais responsáveis pelo sucesso no alcance desses índices - ainda que distantes dos 19/1000 registrados entre a população de não índios - é o ex-diretor do Departamento de Saúde Indígena (Desai) da Funasa, Wanderley Guenka.
"Mesmo com todas as barreiras geográficas, logísticas e culturais, conseguimos evitar que centenas de crianças indígenas morressem, modificando a demanda assistencial que antes se restringia à recuperação dos indígenas doentes e revertendo essas ações em vigilância à saúde, priorizando mais a prevenção e promoção", explicou Guenka, atualmente lotado na Coordenação Regional da Funasa em Mato Grosso do Sul.
A seguir, os principais trechos da entrevista concedida por Wanderley Guenka à jornalista Vanusa Menegazzi Braga, do Núcleo de Imprensa (Nimp) da Assessoria de Comunicação e Educação em Saúde (Ascom), em Campo Grande (MS).
Ascom/Funasa - Quais as principais dificuldades enfrentadas pelo Desai para reduzir a mortalidade entre as crianças indígenas?
Wanderley Guenka - A dificuldade geográfica na localização de várias aldeias, principalmente na Amazônia Legal, aliada à inexistência de centros de referência à saúde, próximos a estes locais, ou seja, municípios de pequeno porte com baixa capacidade resolutiva foi, sem dúvida, uma das principais dificuldades. Outro problema estava no entrave da comunicação e troca de experiências entre as 170 diferentes línguas faladas pelas comunidades indígenas, em contraponto a qualquer explicação em português sobre a necessidade de mudanças na operacionalização das ações voltadas à saúde.
Ascom/Funasa - Como a realidade desses povos começou a mudar?
Inicialmente, foi preciso estruturar a parte física dos Polos-Base, das Casas de Apoio à Saúde do Índio (Casai) e dos Postos de Saúde Indígenas, além da aquisição de equipamentos. O incremento da logística para auxiliar o transporte das equipes multidisciplinares de saúde às aldeias, assim como a acessibilidade dos doentes indígenas através de barcos, veículos traçados e utilitários foram fundamentais para alcançarmos melhores índices no atendimento, sem esquecer da capacitação e treinamentos dos técnicos, através de investimento em recursos humanos.
Ascom/Funasa - Que outros aspectos o senhor também ressaltaria?
É importante destacar a implantação de um mecanismo de chamamento, transparência e visibilidade (divulgação) nas parcerias firmadas com organizações não-governamentais que selecionam e contratam profissionais qualificados, mantendo salários em dia. Outro ponto relevante foi o empenho na implantação dos programas de saúde preconizado pelo Ministério da Saúde, como o controle da malária, tuberculose, hepatites, imunização e vigilância nutricional.
Ascom/Funasa - E como se deu o controle de todo esse imenso contingente de indígenas?
Foi um trabalho exaustivo, mas persistente. Aperfeiçoamos o sistema de informatização que dispõe o cadastramento dos moradores de cada aldeia, com histórico dos atendimentos realizados e a busca ativa de casa em casa aos faltosos nas campanhas de saúde promovidas. Os 193 itens de medicamentos básicos à disposição nos Postos de Saúde também ajudaram a alterar o perfil da mortalidade infantil indígena no Brasil.
Ascom/Funasa - Além do empenho dos profissionais de saúde, o que foi decisivo para se alcançar os resultados positivos divulgados agora?
Todo trabalho em equipe demanda tempo e dedicação para que dê bons resultados. Conseguimos agregar às comunidades às nossas deliberações. Ou seja, hoje o usuário indígena, os gestores estaduais e municipais que recebem recursos para atenção à saúde da comunidade indígena têm voz ativa e direito a opinar nas ações. As divergências, os acordos e as concessões nos fizeram crescer em aprendizado e em modificações efetivas através do diálogo.
No momento em que a saúde à atenção indígena se prepara para deixar de ser uma atribuição da Funasa, que análise o senhor faz do trabalho realizado?
Sem dúvida, uma das missões mais árduas do Estado brasileiro é a de levar as ações de assistência à saúde a essas regiões longínquas, com populações etnicamente diferenciadas e com determinantes sociais em saúde potencializados por obstáculos como barreiras geográficas, lingüísticas e culturais. E essa tarefa, a Funasa realizou com galhardia e valentia, por meio de seus competentes profissionais de saúde. Esse feito e essas conquistas ficarão para sempre, na história e na memória de quem viu as condições de vida dos nossos povos irmãos melhorarem. Poderia ter sido melhor, mas já foi um grande avanço, sem dúvida.
http://www.funasa.gov.br:8080/siscanot/noticias/not_2010/not.php?cod=628
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