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Quebradeiras de coco se unem no Maranhão

O Globo, O País, p. 3
25 de Out de 2009

Quebradeiras de coco se unem no Maranhão
Grupo espera máquina e convênio

De bicicleta, Luzia Bezerra Abreu, de 35 anos, percorre em poucos minutos o caminho de terra que separa a casa minúscula, onde mora com os cinco filhos e dois netos, da Associação das Quebradeiras de Coco Mulher na Luta, em Presidente Vargas. Ela comanda a associação e personifica o que está escrito na fachada do prédio de tijolos brancos que há muito não recebem uma mão de cal. Mulher guerreira, Luzia não tem marido, assim como a maioria das mulheres daquela família, mas está na luta. Com a ajuda do pai, tenta construir uma fonte complementar de renda aos R$ 170 que recebe do Bolsa Família.

Tímida, põe-se a falar sem parar quando o assunto são as potencialidades do coco de babaçu.

- Dá para utilizar tudo do coco. A pindova (palmito) dá para fazer com arroz. O mesocarpo é muito rico. Na alimentação, é como remédio. É usado até no tratamento de câncer - afirma, com entusiasmo.

As propriedades terapêuticas do mesocarpo, massa entre a casca e o caroço do coco, são comprovadas cientificamente. No Maranhão, pesquisas mostram o uso bem-sucedido do pó do mesocarpo de babaçu no tratamento de feridas crônicas, úlceras gástricas, duodenais e outras inflamações, na prevenção de tumores e no tratamento de diabetes.

Em outras regiões do estado, como no Vale do Itabecuru-Mirim, existem fábricas que exploram as potencialidades do coco em escala comercial.

Com a farinha pode-se fazer bolos, biscoitos, tortas. O azeite retirado da amêndoa serve para fazer sabão e sabonete. Da casca se faz artesanato. São muitas possibilidades.

Luzia quer seguir esse caminho. Reuniu na associação 50 quebradeiras de coco, que se revezam no trabalho de produzir a farinha do mesocarpo, feita de forma artesanal, com uma faca.

Não é fácil raspar o coco e obter a farinha, como explica dona Maria dos Reis, que vive com o marido aposentado e os cinco filhos numa casinha de taipa com tijolos de barro à mostra. Tadeu, o pai de Luzia, confirma que o trabalho é demorado e minucioso. A camada do mesocarpo é fina e dura, mas ele vai raspando com uma faquinha de gume afiado.

Tadeu e Luzia estão na expectativa de receber uma máquina que vai fazer esse trabalho. O equipamento vai ser fornecido por um programa de incentivo do governo do estado à geração de emprego e renda.

Com a máquina nova para retirar o mesocarpo, as quebradeiras esperam fechar um convênio com a prefeitura local para fornecer a farinha às escolas, que irão adicioná-la à merenda dos alunos. Rico em nutrientes, o produto é um poderoso aliado contra a desnutrição.

- Se tudo der certo, vai dar para tirar meio salário mínimo, além do Bolsa Família. E, depois, quem sabe um pouco mais. Não dá para ficar acomodada. Tem que ir à luta - diz Luzia.

O Globo, 25/10/2009, O País, p. 3

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