A Crítica, Cidades, p. C4
27 de Mai de 2007
Quanto custa a Amazônia
Cientista Carlos Nobre defende a preservação da floresta como contribuição do País ao planeta
Ana Célia Ossame
Da equipe de A Crítica
O futuro da Amazônia está na descoberta de como dar valor econômico à sua biodiversidade. A afirmativa é do cientista Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), ontem, nó último dia do encontro 'Visões do Rio Babel: conversar sobre o futuro da bacia do Rio Negro', encerrado no Centro Cultural Usina Chaminé, no Centro. 0 evento, realizado pelo Instituto Socioambiental (ISA) e Fundação Vitória Amazônica (FVA) reuniu durante a semana, pesquisadores de várias áreas e lideranças indígenas para discutir o futuro do Rio Negro.
Ao citar que as mudanças climáticas provocadas pelas ações humanas estão alterando a temperatura do Planeta, Nobre afirmou não termos o direito de contribuir para o desaparecimento das espécies, por isso devemos criar estratégias de conservação. "Temos que ser proativos e isso significa mais do que desenhar um mapa ou criar um decreto estabelecendo área de preservação", assegurou ele, lembrando que no pior dos cenários, no futuro muitas espécies de animais só existirão nos jardins botânicos. Por isso, defendeu mudanças no paradigma de que desmatamento é desenvolvimento, explicando que, como o grau de mudanças climáticas já se tornou inevitável, o Brasil tem o papel importante de promover a redução do desmatamento da Amazônia. "Essa deve ser a nossa contribuição esforço mundial para redução da emissão de gases que provocam o efeito estufa", assegurou Carlos Nobre.
Sociedade tem de pressionar governo
Para Nobre, o governo tem um papel central na, implementação de mudanças políticas que contribuam para a redução dos fatores que provocam o aquecimento global, mas a população tem que fazer sua parte, pressionando-o para induzir essas ações. "A sociedade, não acordou ainda para a importância da redução das emissões de gases", disse ele, alertando para a necessidade de estudos que levem ao conhecimento da biodiversidade para quando as mudanças climáticas começarem, termos estratégias de maximização da preservação. 'A sociedade tem que estar ciente de que não basta só reduzir as emissões de gases, mas precisa desenvolver estratégias de adaptação a essa nova realidade', afirmou.
O encontro 'Visões do Rio Babel' reuniu, a partir de depoimentos de pessoas vinculadas à instituições e organizações não-governamentais com diferentes vivências e perspectivas da região, idéias e propostas que deverão resultar na criação de u ma rede capaz de pensar no desenvolvimento sustentável dessa região.
A Crítica, 27/05/2007, Cidades, p. C4
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