OESP, Geral, p.A14
27 de Nov de 2003
PT vai apoiar projeto pela mata atlântica
Genoino anunciou decisão a plano apresentado há 11 anos pelo PSDB
JOÃO DOMINGOS
BRASÍLIA - No documento que lançou ontem para reafirmar sua política a favor do respeito ao ambiente e à qualidade de vida, o presidente do PT, José Genoino, anunciou que o partido vai apoiar a aprovação, na semana que vem, do projeto que cria normas de proteção para os 7% que restam da mata atlântica. O projeto foi apresentado em 1992 pelo então deputado Fábio Feldmann (PSDB-SP), mas os lobbies contrários nunca deixaram que fosse votado.
"Estou reafirmando o programa de ambiente do PT, com a garantia de aprovação do projeto de lei de proteção da mata atlântica porque passamos por algumas crises no setor, como a da edição da medida provisória que liberou o plantio de soja transgênica, e fomos considerados contraditórios, porque estaríamos quebrando nossos princípios", disse.
No auge da crise da MP, o deputado Fernando Gabeira (RJ) deixou o PT, acusando o governo e o partido de serem mais "atrasados", na área ambiental, do que os governos de Fernando Henrique e Collor.
"O PT reafirma que o principal compromisso do governo de Lula é trabalhar pela melhoria da qualidade de vida e por um ambiente saudável para todos", disse Genoino. Para isso, segundo ele, o partido terá forte participação na Conferência do Meio Ambiente, que começa amanhã em Brasília e deve lançar o programa Água Vida, em março, como um grande mutirão pela recuperação das bacias hidrográficas do País.
Genoino admitiu que a questão do ambiente é polêmica. Lembrou, por exemplo, que enquanto o partido apóia o projeto da mata atlântica, o governo, por meio dos órgãos competentes, assenta sem-terra em área preservada da mata no Paraná. "Tudo isso terá de ser debatido. Temos de encontrar um meio termo, para não comprometer o meio ambiente nem deixar as famílias passando fome."
Reserva - Outra questão polêmica é a demarcação da reserva indígena de Raposa/Serra do Sol, em Roraima. Lá, o governador Flamarion Portella, que é do PT, pressiona o partido a reduzir a área a ser demarcada. Genoino disse que o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, vai negociar uma solução. "Temos de negociar. Não podemos é ficar parados."
Ele afirmou ainda que o PT vai criar o programa Água Doce/Sede Zero, para democratizar o acesso à água no semi-árido. O programa prevê a oferta, em 4 anos, de 12 milhões de litros de água potável por dia.
OESP, 27/11/2003, p. A14
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