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Protesto em Manaus é o maior da história indígena do Estado

Folha de S. Paulo-São Paulo-SP
Autor: KÁTIA BRASIL
29 de Jan de 2005

Índios de 17 etnias do Amazonas, que invadiram a sede da Funai
(Fundação Nacional do Índio) de Manaus desde o dia 3 de janeiro,
disseram que só desocuparão o prédio quando a presidência do órgão,
em Brasília, indicar um dos três nomes sugeridos por eles para a
administração local do órgão.
O protesto já é o maior da história indígena no Estado e tem apoio
do Conselho Internacional do Fórum Social Mundial, do qual
participam líderes da invasão.
Ontem, uma reunião na sede Justiça Federal, em Manaus conduzida pela
juíza Jaiza Fraxe, com a presença de uma comissão de índios,
representantes da Funai e da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil)
tentou colocar fim à invasão. Ficou acertado que os três nomes
indicados pelos índios serão discutidos em Brasília, na sede do
órgão. Os índios voltaram no início da noite para a sede da Funai
para discutir a decisão.
Em Brasília, o vice-presidente da Funai, Roberto Lustosa, havia dito
que não existe acordo sobre a exigência de colocar um índio na
chefia da administração e que o órgão investiga a participação de
servidores e ex-funcionários da Funai na invasão do prédio.
A invasão da sede da Funai começou com a reivindicação da demarcação
da terra indígena mura, em Autazes (113 km ao leste da capital), e
conseguiu a exoneração do administrador, o sertanista Benedito
Rangel, anteontem, a pedido do próprio funcionário.
Segundo o tuxaua Antônio Mota, os índios indicados para assumir o
órgão têm influência sobre metade dos 83.966 índios do Estado, e são
Alberto Baré, Benjamim Baniwa e Estevão Barreto Tucano. A Funai
abriu uma sindicância para investigar a administração de Rangel,
acusada de intervir contra demarcações. Ele nega.

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