Radiobrás-Brasília-DF
Autor: Juliana Cézar Nunes
21 de Abr de 2005
Cerca de 15 mil pessoas estiveram na tarde desta quarta-feira (20) no centro cívico de Boa Vista (RO) para protestar contra a homologação em terra contínua da reserva indígena Raposa Serra do Sol. Os números são da Polícia Militar da capital. O tenente Ronaldo Nascimento, comandante de policiamento, conta que não foi registrada nenhuma ocorrência durante a manifestação. "Estávamos com um efetivo de 80 policiais e nenhum deles precisou agir", afirma Nascimento. "Após o encerramento da manifestação, às 20h, estão programados alguns shows e, por isso, vamos manter o policiamento".
Agricultores, comerciantes e empresários começaram a chegar no centro cívico às 15h. Lojistas liberaram os funcionários e fecharam as portas mais cedo. Contrariando a expectativa dos organizadores do evento, não houve ponto facultativo para os funcionários públicos, que só chegaram ao protesto às 18h.
O presidente da Federação Associações Comerciais de Roraima, Derval Furtado, diz que a manifestação também contou com a participação de agricultores que vivem na Raposa Serra do Sol. "Eles não acreditam que o governo federal vai indenizá-los. São valores homéricos para a indenização do que foi construído, do que está plantado, do que está providenciado", avalia Furtado.
A Polícia Federal acompanhou o protesto em Boa Vista para garantir a seguranças dos índios. Desde a semana passada, o delegado da Polícia Federal Francisco Mallman coordena uma operação para proteger a comunidade indígena. Por precaução, o CIR - Conselho Indígena de Roraima fechou os portões nesta quarta-feira. Coordenador do CIR, o índio Marinaldo Trajano revela que os indígenas não são contrários ao pagamento de indenizações para agricultores. Mas lamentam que muitos deles tenham poluído rios e feito desmatamentos, causando prejuízos incalculáveis para os índios.
"Até agora não recebemos nenhuma ameaça direta. Continuamos trabalhando normalmente, porém com medo. A pressão é muito grande. O nosso receio é que alguns pilantras da rua aproveitem essas manifestações para fazer besteira, chegar aqui, destruir o nosso escritório", diz Trajano. "Essa manifestação no centro cívico é uma contradição para o CIR. O que o governo fez é um dever constitucional, é direito nosso ter a terra demarcada."
Os agricultores que estão no local tem um ano para sair reserva. Pelos cálculos da Funai, os 40 pequenos proprietários e 16 rizicultores que vivem na região serão indenizados, principalmente pelas benfeitorias feitas.
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