OESP, Forum dos Leitores, p.A3
Autor: FINK, Daniel R.
03 de Mar de 2004
Proteção ao ambiente
A propósito de artigo Primado dos valores antropológicos (28/2, A2), de Miguel Reale, gostaria de informar que o princípio sobre o qual assenta sua premissa, o antropocentrismo, vigorava, quando, em 1972, em Estocolmo, o Brasil, animado por valores pouco democráticos, assumia forte defesa do desenvolvimentismo, não agasalhado na Constituição de 1988, a Constituição cidadã. Basta a leitura do art. 170, inciso VI, o qual subordina o desenvolvimento econômico à proteção do meio ambiente. Hoje, conforme consagra a Lei Maior, o Homem não é mais o centro do Universo e todos os seres vivos não estão mais a seu serviço, prazer e desprazer. O futuro do Planeta depende de se encarar o Homem como um ser vivo como outro qualquer. Ou, do contrário, não se haverá mais Humanidade, porque não haverá vida. É com essa perspectiva que o Ministério Público trabalha, pois é com esse mandamento que a Constituição lhe determinou que atuasse. Daniel R.
Fink, procurador de Justiça e coordenador das Promotorias de Justiça de Urbanismo e Meio Ambiente do Ministério Público do Estado de São Paulo
Maior espetáculo da Terra
Um evento grandioso está para acontecer no mundo. A humanidade volta os olhos para o Brasil, donde há de surgir o maior programa social já visto na face da Terra. Técnicos da Nasa sacodem a letargia da infrutífera busca de vida em Marte e reprogramam as antenas de Spirit e Opportunity para registrar fenômeno na longínqua face do planeta azul. Fosse eu, continuava a procurar marcianos. Stanislaw Cordeiro (ratles2@hotmail.com)
Drama sem plano B
Se o governo não tem um plano B, é melhor pensar urgentemente em um. Os indicadores econômicos mostram que a política econômica está equivocada e invertida. A prova é que só as instituições financeiras (que cobram juros sobre juros, o que é proibido por lei) e a Petrobrás têm lucros escandalosos. Esse foi o resultado de seguir à risca a política ordenada pelo FMI, que destruiu a Argentina. Não havendo Plano B, chegaremos no final de 2004 com uma inflação de 5,5%, sobre um amontoado das cinzas da destruição do setor produtivo e da sociedade. No final, PT e PMDB pulam alegremente e terminam por se afogar nessas cinzas. E uma última voz agonizante balbucia: "Espetáculo do crescimento, geração de empregos, inflação de 5,5%, desen..." E aí ela também morre. Aguinaldo Parreira, São Bernardo do Campo
Marcha lenta?
Em artigo publicado ontem (Inovação em marcha lenta, B2), Antônio Márcio Buainain comenta a questão da inovação tecnológica e cooperação universidade-empresa no Brasil. Concordo com sua linha de argumentação. No entanto, um ponto merece reparo. Primeiro, afirmar que em 2003 "o setor perdeu rumo e voltou a patinar em marcha lenta" é desconhecer o que vem ocorrendo na área de C&T. Na realidade 2003 foi um ano de significativos avanços no campo operacional e conceitual. Os fundos setoriais tiveram seu melhor desempenho financeiro e foi tomada a decisão, que já se encontra em fase de implementação, de aplicar recursos da ordem de R$ 170 milhões diretamente nas empresas, em parceria com as Fundações Estaduais de Apoio à Pesquisa, como parte do Programa de Apoio às Pequenas Empresas (Pappe), coordenado pela Finep. Creio mesmo que esta foi a primeira iniciativa importante do governo federal no real apoio à inovação tecnológica em seu nicho natural que é a empresa. Claro que outras medidas mencionadas pelo articulista são necessárias para uma ação ainda mais efetiva. Wanderley de Souza, secretário de Estado de Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro e ex-secretário Executivo do MCT
OESP, 03/03/2004, p.A3
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