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Promessa de forças federais

CB, Brasil, p. 9
14 de fev de 2006

Promessa de forças federais

O governo federal desencadeará, até março, uma megaoperação na Terra do Meio, situada no Pará, para desarmar milícias de jagunços formadas por madeireiros e grileiros. O governo quer conter a nova onda de hostilidades que ameaça sair de controle na região. A informação é do secretário-executivo do Ministério da Justiça, Luiz Cláudio Teles Barreto. Ele reconhece que o clima de tensão é generalizado e defendeu a presença ostensiva de forças federais no estado.
A Terra do Meio foi o local escolhido pela missionária norte-americana Dorothy Stang para lutar pela reforma agrária com desenvolvimento sustentável. Na região, há pelo menos 48 pessoas juradas de morte, que se encontram sob proteção policial. A primeira operação foi desencadeada logo após a morte da missionária, em fevereiro de 2004, com a participação das Forças Armadas. Mas a presença federal se desmobilizou e, com o tempo, a situação voltou a ficar tensa.
Ontem, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, disse que as investigações sobre o assassinato de Dorothy Stang, que resultou na prisão e julgamento de cinco pessoas, foram feitas "em tempo recorde". "Nunca houve no Brasil um caso em que um homicídio como esse fosse desvendado em menos de um ano e os criminosos fossem a júri", afirmou.
Os dois pistoleiros que executaram a missionária foram a juri em dezembro de 2005. Rayfran das Neves, réu confesso, foi condenado a 27 anos de prisão. Clodoaldo Batista, outro envolvido, a 18 anos de prisão. O intermediário que contratou os pistoleiros, Amair Feijoli, e os mandantes, Vitalmiro Bastos de Moura e Regivaldo Galvão, deverão ser julgados em junho por conta de recursos interpostos por seus advogados, na tentativa de impedir que eles sejam submetidos a júri popular.
A morte de Dorothy completou um ano no domingo. A missionária foi morta a tiros em Anapu por causa do trabalho que desenvolvia em assentamentos rurais da Região Amazônica. Márcio Thomaz Bastos disse que a Polícia Federal continua apurando o caso para descobrir conexões paralelas do crime. Suspeita-se que outros fazendeiros estejam envolvidos numa espécie de consórcio para bancar a morte da freira. Em 1997, a Polícia Civil do Pará tentou reunir provas que sustentassem a tese de que a morte dos 17 sem-terra em Eldorado dos Carajás havia sido bancada por um consórcio. Só os policiais militares foram a júri.

CB, 14/02/2006, Brasil, p. 9

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